2007-12-04

Subject: 50 anos depois: o legado da Curva de Keeling

 

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50 anos depois: o legado da Curva de Keeling

 

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É um ícone da ciência, merecedor de ser mencionado ao lado da célebre E=mc2 e da dupla hélice.

Ainda que o seu nome, a curva de Keeling, não seja muito famoso fora do círculo científico, a curva ascendente mostrando o aumento do dióxido de carbono (CO2) na atmosfera já se tornou um dos gráficos mais famosos da ciência e um forte símbolo dos nossos tempos.

Foi há 50 anos que um jove cientistas americano, Charles David Keeling, começou a seguir o CO2 na atmosfera terrestre em dois dos últimos locais remotos o planeta: o pólo sul e o cume do vulcão Mauna Loa no Havai. 

As suas medições muito precisas produziram dados espantosos, que foram os primeiros a soar o alarme sobre o acumular do gás na atmosfera e eventualmente levaram ao registo dos gases de efeito de estufa em todo o mundo.

A curva estabeleceu o cenário para o debate sobre as alterações climática e as políticas, muitas vezes controversas, que se referem à contribuição humana para o efeito de estufa.

"Só quando Keeling começou a medir o CO2 é que passámos a ter provas de que o gás estava a aumentar devido às actividades humanas", diz Andrew Watkinson, director do Tyndall Centre for Climate Change Research da Universidade de East Anglia (UEA), Reino Unido. "O gráfico é um ícone da perspectiva climática."

Alistair Manning concorda: "Foi a primeira indicação real de que os níveis de CO2 estavam a subir", diz ele. "Isso levou os cientistas a começarem a pensar no impacto de tal alteração sobre o clima."

Na década de 50 do século passado, quando Keeling começou as suas experiências, ninguém sabia se o CO2 libertado pela queima de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás natural) acabaria na atmosfera ou se seria completamente absorvido pelos oceanos e pelas florestas.

"O objectivo por trás do início das medições era verificar o que na altura era apenas uma suspeita: que os níveis de CO2 atmosférico estavam a subir devido à queima de combustíveis fósseis", explica o biogeoquímico Andrew Manning, também da UEA, que trabalhou com Keeling na década de 90 passada.

"Para o fazer, era necessária uma localização muito distante da contaminação e poluição das emissões locais citadinas, logo o Mauna Loa, no alto de um vulcão no meio do Pacífico. Sem esta curva e o trabalho incansável de Keeling não há dúvida que a nossa compreensão e aceitação do aquecimento global induzido pelo Homem estaria 10 a 20 anos atrasado."

Keeling descobriu que o dióxido de carbono estava a subir continuamente e que havia flutuações anuais no teor de carbono na atmosfera, causadas por variações sazonais no crescimento vegetal.

Quando ele começou as suas medições em 1958, os níveis de CO2 eram de perto de 315 ppmv (partes por milhão em volume), ou seja, 315 moléculas de CO2 por cada milhão de moléculas de ar. Em 2005 esse valor já tinha subido para 378 ppmv.

 

No entanto, apesar da importância que damos às alterações climáticas na investigação actual, Keeling, conhecido pelos amigos e colegas como Dave, teve grande dificuldade em assegurar fundos para os seus esforços de monitorização.

Charles David Keeling (SPL)"Dave Keeling passou muitas noites em branco, meso já na década de 90, por ser obrigado a justificar vez após vez a manutenção do financiamento do seu programa", recorda Manning. "O facto de estarmos a celebrar os 50 anos desta pesquisa deve-se exclusivamente à sua incrível perseverança, coragem e optimismo."

Os desafios técnicos, analíticos e logísticos do trabalho eram enormes. "Para medir alterações tão mínimas na composição do ar, no alto de uma montanha remota, é desfiador até hoje. O que Dave Keeling conseguiu começar e continuar só mostra o seu brilhantismo."

Actualmente, os níveis de dióxido de carbono são amostrados todas as semanas em cerca de 100 locais de todo o mundo. Recipientes com ar são levados para um laboratório e analisados em busca de dióxido de carbono, outros gases de efeito de estufa e poluentes. Aviões recolhem amostras semelhantes a altitude mais elevada, e sensores no espaço detectam alguns dos gases atmosféricos remotamente.

"Sem este registo de 50 anos do dióxido de carbono, não seríamos capazes de compreender a causa das alterações climáticas que estamos a observar", diz James Butler, director-adjunto da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) no Earth System Research Laboratory. 

Charles Keeling morreu em 2005, com 77 aos de idade, mas continuou a sua investigação sobre o dióxido de carbono na Scripps Institution of Oceanography de San Diego até ao fim.

À data da sua morte já tinha publicado mais de 100 artigos de investigação e recebido a Medalha Nacional de Ciência, o maior reconhecimento americano para uma vida dedicada à investigação científica.

O seu filho, Ralph Keeling, também geoquímico na Scripps, continua o seu trabalho. 

 

 

Saber mais:

50th Anniversary of the Global Carbon Dioxide Record

Noaa Mauna Loa Observatory

Scripps Institute of Oceanography

 

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