2007-11-29

Subject: Mistério do metano continua

 

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Mistério do metano continua

 

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Cerca de 2 anos após a confusão causada pela descoberta de que as plantas terrestres podem estar a bombear metano através de um mecanismo desconhecido, os cientistas continuam a produzir resultados intrigantes acerca deste estranho fenómeno.

Um estudo revelado esta semana parece confirmar que o metano é emitido desta forma mas acrescenta que pode estar limitado às plantas lenhosas, novamente por razões desconhecidas.

O metano (CH4), o principal componente do gás natural, é um hidrocarboneto simples e um potente gás de efeito de estufa. Vulgarmente é libertado pela matéria orgânica em decomposição em ambientes sem oxigénio, como pântanos e intestinos animais.

A descoberta original, publicada em Janeiro de 2006, de que as plantas emitem metano na presença de oxigénio atmosférico pareceu virar de cabeça para baixo o conhecimento anterior. Ficou claro que se a vegetação global realmente liberta quantidades substanciais do gás, uma ou mais das fontes conhecidas de metano tem que ter sido sobrestimada.

Mas essas medições iniciais, feitas por Frank Keppler, do Instituto de Física Nuclear Max Planck em Heidelberg, provaram ser difíceis de verificar. Utilizando uma abordagem experimental diferente, outros investigadores não encontraram provas de qualquer tipo de emissões de metano aeróbias significativas por parte das plantas. Num estudo publicado em Maio, Tom Dueck, então da Plant Research International em Wageningen, concluiu que a contribuição das plantas para as emissões globais de metano é muito pequena, quando muito.

No entanto, uma equipa de chineses e americanos veio agora confirmar, através de um método de isótopos de carbono muito preciso, que pelo menos algumas plantas realmente emitem quantidades pequenas mas mensuráveis de metano em condições aeróbias. Os resultados, no entanto, sugerem que o efeito não é universal entre as plantas.

Zhi-Ping Wang, do Instituto de Botânica da Academia Chinesa de Ciências em Nanxincun, testou 44 espécies de plantas recolhidas ao acaso na Estação de Investigação de Ecossistemas da Academia Chinesa de Ciências na Mongólia interior. Colocaram folhas ou caules em garrafas estanques, inundaram-nas com ar sem metano (ou em alternativa com ar contendo uma pequena concentração inicial de metano) e deixaram-nas no escuro, à temperatura ambiente.

Quando, ao fim de 10 a 20 horas, determinaram a concentração de metano, descobriram que 7 das 9 espécies lenhosas, especialmente o arbusto Achillea frigida, tinham emitido aerobicamente metano. As plantas herbáceas não tinham emitido, relatam os cientistas na revista Environmental Science and Technology.

 

Se correcta, esta descoberta significaria que as pradarias das latitudes médias, como a estepe mongólica, não são uma fonte de metano atmosférico, enquanto os ecossistemas dominados por árvores e arbustos serão fontes mais prováveis.

Mas os resultados não são definitivos. Ainda que Wang não tenha observado emissões de plantas herbáceas, Keppler sim e também existem alguns resultados preliminares apontando para a emissão por parte de ervas tropicais.

"É um processo difícil de estudar", diz Jay Gulledge, microbiólogo da Universidade do Wyoming em Laramie e co-autor do estudo mais recente. “Será preciso muito mais trabalho para descobrir quando, onde e porquê isto acontece e se é ou não importante para o teor global de metano."

Keppler inicialmente estimou que as plantas terrestres podiam ser responsáveis por até 40% das emissões totais de metano mas este número foi revisto em baixa. Se o efeito não é universal entre as plantas significará uma contribuição ainda menor para o teor global de metano.

Actualmente, todas as estimativas globais são extremamente incertas mas mesmo que as plantas contribuam pouco para o teor global de metano, os cientistas estão ansiosos em compreender a química desconhecida por trás deste estranho efeito.

Dueck, que não analisou plantas lenhosas no seu estudo, considera que os novos resultados são interessantes e instrutivos mas não clarificam o mecanismo pelo qual o metano é produzido. Ainda mais difícil é compreender como os caules podem produzir metano. “Que apenas as plantas lenhosas sejam capazes de emitir o gás é que me deixa completamente baralhado", diz ele. 

 

 

Saber mais:

Environmental Science & Technology

Como lidar com o problema dos gases bovinos …

 

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