2007-11-28

Subject: Dúvidas acerca da recuperação da vida selvagem de Chernobyl

 

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Dúvidas acerca da recuperação da vida selvagem de Chernobyl

 

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Surgiu um intenso debate acerca da saúde das zonas que rodeiam o reactor nuclear de Chernobyl, que explodiu catastroficamente há mais de 2 décadas.

Os humanos continuam proibidos de viver num raio de 30 Km do loca do acidente de 1986, descrito como o maior desastre ambiental de que há memória, mas esta zona de evacuação ainda é lar de muitas espécies de animais. 

Investigações anteriores determinaram que esta fauna selvagem continua a sofrer os efeitos do desastre mas outros ecologistas declararam que os ecossistemas da zona estão florescentes e que a radiação não teve impacto duradouro na vida selvagem.

Agora há um intenso debate nas páginas da revista Biology Letters especificamente sobre as aves da zona. Investigadores que acreditam que dados de um censo detalhado mostram que as populações de aves foram afectadas pela radioactividade da paisagem estão em choque com outros que acham que os dados têm falhas.

Em Julho deste ano, Anders Møller, da Universidade Pierre et Marie Curie de Paris, e Timothy Mousseau, da Universidade da Carolina do Sul em Columbia, relatam que a abundância de aves e a sua densidade populacional estão reduzidas mas Jim Smith, da Universidade de Portsmouth, critica essa pesquisa. Ele argumenta que os efeitos podem ser devidos ao declínio de espécies como as andorinhas dos celeiros Hirundo rustica, que dependem da presença do Homem para florescer.

Mais de 330 mil pessoas foram evacuadas da zona de exclusão, que cobre a zona de Chernobyl na Ucrânia e uma vasta área da vizinha Bielorrússia, para onde os ventos prevalecentes arrastaram grande parte da matéria radioactiva. O abandono das quintas por parte dos evacuados pode ser a verdadeira razão porque aves como a andorinha dos celeiros está a sofrer, argumenta Smith.

"Não acho que tenham provado que houve danos para as andorinhas dos celeiros [em resultado da radioactividade]", diz Smith. "Aborrece-me quando vejo pessoas a lançar dúvida sobre a [recuperação do ecossistema] com base num estudo sobre andorinhas dos celeiros."

Møller, Mousseau e a sua equipa respondem na mesma edição da revista, argumentando que as andorinhas dos celeiros procriam tanto em locais selvagens como em quintas.

O argumento salienta o facto que, refere Møller, não foi feito nenhum esforço adequado para seguir os ecossistemas de Chernobyl. Alega que organizações internacionais como a Organização Mundial de Saúde e a Agência Internacional da Energia Atómica têm dependido de "evidências anedóticas". 

 

"Porque motivo não houve um esforço concertado para seguir os efeitos a longo prazo sobre os organismos de vida livre e humanos em Chernobyl?", escreve Møller. Ainda que não existam planos para repovoar a zona de exclusão, estima-se que 5 milhões de pessoas ainda vivam em terras contaminadas pelo acidente.

Smith argumenta que os maiores impactos do acidente sobre os humanos foram claramente "sociais e psicológicos", em resultado do trauma da evacuação. Ele admite que investigações publicadas sobre os impactos ecológicos, pelo menos em revistas ocidentais, são escassas mas salienta que espécies raras e ameaçadas estão a colonizar a zona (veja Ecossistemas de Chernobyl espantosamente saudáveis). Segundo ele, o governo bielorrusso declarou uma grande área da zona como "reserva estatal radioecológica".

Smith acrescenta que a literatura em russo contém relatos muito mais detalhados da saúde da fauna selvagem de Chernobyl. Muitos destes relatos sugerem que a vida selvagem está realmente a recuperar muito bem.

"Precisamos de chegar a um consenso acerca de se essa é a verdade ou não", continua ele, "os ecossistemas são complicados e é muito difícil testar hipóteses, não é nada fácil faze-lo de forma adequada."

O debate surge apenas dias depois das Nações Unidas terem declarado o fim da 'fase de emergência' do desastre. Numa resolução adoptada na semana passada na sua sede em Nova Iorque, declara-se que os esforços devem agora focar-se na recuperação e no desenvolvimento sustentado daqueles deslocados pela evacuação, em vez de os tratar como vítimas com necessidade de apoio de emergência. A declaração não refere a fauna selvagem que permanece na zona. 

 

 

Saber mais:

Nações Unidas - Chernobyl

Greenpeace rejeita relatório sobre Chernobyl

Ecossistemas de Chernobyl espantosamente saudáveis

 

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