2007-11-25

Subject: Ursos polares morrem em anos de degelo precoce

 

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Ursos polares morrem em anos de degelo precoce

 

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Um censo dos ursos polares da Baía de Hudson no Canadá veio somar números duros relativamente ao temor de que o recuo do gelo esteja a causar a morte de ursos por falta de alimento ou por afogamento.

Os biólogos já tinham previsto que os ursos polares iam ter dificuldades em sobreviver com a chegada cada vez mais cedo do Verão no Árctico. 

Menos tempo passado nos terrenos de caça sobre as plataformas de gelo significa que os ursos ficam demasiado magros muito antes da chegada do Inverno. Já havia comunicações, em 2005, de ursos encontrados a nadar muito longe da costa e alguns foram mesmo encontrados a flutuar mortos, presumivelmente afogados, mas até agora não havia evidências associando directamente a tendência de degelo do mar devido às alterações climáticas às mortes de ursos.

Mas agora, analisando 20 anos de dados recolhidos através de ursos capturados ao longo da costa da Baía de Hudson, uma equipa de cientistas americanos e canadianos descobriu que menos ursos juvenis e mais idosos sobreviveram em anos em que o gelo se desintegrou mais cedo.

“A taxa de sobrevivência desceu drasticamente nas crias, juvenis e animais muito velhos e está directamente associada à data da desintegração do gelo", diz Ian Stirling, biólogo do Canadian Wildlife Service em Edmonton, Alberta, um dos autores do estudo.

Dado que a Baía de Hudson está perto do limite sul do habitat dos ursos polares, o que aí acontece pode prever o destino das populações mais a norte, dizem os autores.

Apesar da altura da desintegração do gelo variar de ano para ano, a tendência tem sido para a existência de cada vez mais dias de águas abertas. Historicamente, o gelo preenchia a Baía de Hudson 8 meses por ano mas agora o gelo está a desaparecer perto de 3 meses mais cedo do que acontecia há 30 anos.

Desde 1984, os gestores da fauna selvagem capturaram alguns por cento dos ursos que passavam o Verão na costa oeste da Baía, libertando-os com marcas nas orelhas e tatuagens na boca. As marcações permitem aos biólogos reconhecer os ursos individualmente, seguir o seu destino e estimar quantos sobrevivem a cada Inverno. Ao longo de duas décadas, esta população sofreu um declínio de mais de 20%.

Eric Regehr, do US Geological Survey de Anchorage, Alaska, comparou o número de ursos com os dados disponíveis sobre a extensão da cobertura de gelo marinho. Os ursos adultos no máximo da sua força, os com idade entre os 5 e 19 anos, parecem não ser afectados pelas alterações na cobertura de gelo mas muitas das crias, juvenis e ursos velhos capturados nos anos em que o gelo se desintegrou mais cedo não voltaram a ser vistos.

“Quanto mais cedo ocorre a desintegração, menor a taxa de sobrevivência", diz Stirling. Por cada semana de oceano livre de gelo, a sobrevivência destes ursos com idades mais vulneráveis diminui entre 2 e 5%. Essa é a principal razão para o declínio do efectivo da população, relata Stirling na edição de Novembro da revista Journal of Wildlife Management.

 

Os biólogos já estavam preocupados com esta população de ursos. Em 1999, antes do declínio ser notado, o mesmo tipo de censo descobriu que os ursos ficavam demasiado magros em anos com menos gelo.

Os ursos polares jejuam durante o Verão porque armazenam nutrientes ao devorar focas aneladas. No início da Primavera, os ursos banqueteiam-se com crias recém-nascidas de foca até que o gelo quebre, armazenando a maioria da energia de que vão precisar durante o período de jejum. Em anos em que o gelo quebra cedo, os caçadores menos capazes capturam menos focas do que precisavam.

Agora parece que a fome está a dar lugar a mortes. “É assustado", diz Martyn Obbard, que estuda os ursos polares da zona sul da Baía de Hudson para o Ontario Ministry of Natural Resources em Peterborough, mas não participou neste estudo. “As evidências e as conclusões que tiraram são sólidas."

Obbard estuda os ursos mais a sul do que a população ocidental que está a sofrer o declínio de efectivo mas devido aos ventos e correntes levarem o gelo para esta zona da Baía, o efeito do degelo precoce tem sido menos severo. Ainda assim, Obbard também tem vindo a registar ursos mais magros. Num estudo recentemente apresentado, ele descobriu que os ursos capturados nos últimos 5 anos pesam menos 15% que os ursos de comprimento equivalente capturados há 20 anos.

“Parece-me que a população do sul da Baía de Hudson está a seguir a mesma trajectória que a da zona ocidental da Baía", diz Obbard, “mas com um desfasamento. Ainda não contámos menos ursos mas tudo aponta para que será em breve."

Os Estados Unidos estão a considerar incluir o urso polar na lista das espécies ameaçadas ao abrigo da Endangered Species Act, uma decisão que deve ser conhecida no início do próximo ano. 

 

 

Saber mais:

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