2007-11-20

Subject: Porquê que o esquilo não atravessa a estrada?

 

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Porquê que o esquilo não atravessa a estrada?

 

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Os pequenos mamíferos têm o hábito de evitar as estradas pavimentadas e hesitam atravessá-las mas os ecologistas não conseguiram chegar a um acordo sobre se o problema é a própria estrada ou os carros que a percorrem.

Um novo estudo indica que é o espaço aberto, e não o barulho ou a poluição e o tráfego que afasta os pequenos animais.

As estradas dividem as florestas e isolam as populações de animais, situação que cada vez mais preocupa quando se trata de populações já fragmentadas de pequenos mamíferos ameaçados, como a marmota de Vancouver, o rato saltador de Preble ou o esquilo de Nelson, que precisam de números elevados para manter a diversidade genética nos seus efectivos cada vez mais reduzidos.

Os conservacionistas têm várias opções para encorajar a migração destes animais: podem encerrar estradas, controlar o tráfego ou construir corredores sob as auto-estradas mas para tomar a melhor decisão precisão de saber o motivo porque as estradas são problemáticas.

Para investigar a questão, uma equipa de biólogos da Universidade Carleton em Ottawa capturou esquilos Tamias striatus e ratos de patas brancas Peromyscus leucopus e marcaram-lhes as orelhas para que os seus movimentos pudessem ser seguidos.

Deslocaram 159 esquilos e 244 ratos para locais com diferente número de estradas entre eles e os seus lares. A equipa verificou depois se o número de estradas ou o tráfego que nelas existia, estava associado ao número de animais que chegavam a casa. Algumas estradas eram praticamente desertas, enquanto outras tinham mais de 15 mil veículos por dia.

Eles relatam que 51% dos mamíferos que foram deslocados para outro lado de uma estrada regressaram, comparados com os 77% dos que foram deslocados para uma distância semelhante mas sem estradas. Nas deslocações em que era preciso atravessar várias estradas, a probabilidade de regresso reduzia-se em 50% por cada estrada adicional. Talvez de forma estranha, o nível de tráfego não fazia diferença para estes números.

Adicionalmente, a equipa notou que as áreas adjacentes a estradas eram igualmente ricas em pequenos mamíferos, quando comparadas com locais mais distantes, o que também sugere que o barulho e o tráfego não são problema.

 

“Evitam as estradas pavimentadas mas não se importam de estar ao pé delas", diz Lenore Fahrig, uma das autoras do estudo.

Estudos anteriores, feitos com anfíbios e répteis, revelaram taxas preocupantemente elevadas de morte devidas ao tráfego, diz Fahrig. Mas a situação é claramente diferente com os pequenos mamíferos, eles parecem ser capazes de evitar os carros facilmente. 

Isso são boas notícias para os mamíferos mas complica o problema da protecção da fauna selvagem. "Este é um sinal forte de que a não ser que se retire as estradas completamente, não há uma solução única que funcione para todas as espécies", diz Fahrig.

Também os animais de grande porte reagem de forma diferente às estradas. Estudos revelaram que o volume de tráfego afasta alces, renas e veados, por exemplo. “Muitos assumem que os padrões demonstrados pelo animal A se aplicam ao animal B mas isso não é verdade", diz o ecologista Joel Berger, da Wildlife Conservation Society.

Mas pelos menos para os esquilos, o estudo mostra que os túneis podem ser uma boa solução. No Canadá, salienta Berger, os ecologistas estão a desenvolver passagens aéreas para animais de grande porte mas estudos destes podem levar as pessoas a pensar nos animais pequenos também. 

 

 

Saber mais:

Wildlife Conservation Society

Road Ecology Center da Universidade da Califórnia, Davis

 

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