2007-11-16

Subject: Cérebro adormecido recapitula acontecimentos em acelerado

 

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Cérebro adormecido recapitula acontecimentos em acelerado

 

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Investigação feita com ratos adormecidos lançou nova luz sobre a forma como o cérebro processa as suas experiências recentes e as transforma em memória a longo prazo.

A experiência sugere que o cérebro cria essas memórias 'recapitulando' os acontecimentos do dia a uma velocidade várias vezes superior aquela a que realmente aconteceram.

O estudo, realizado por neurocientistas da Universidade do Arizona em Tucson, reforça a teoria de que a região do cérebro responsável pela organização da memória a longo prazo, conhecida por córtex pré-frontal mediano (CPFm), consolida a memória ao reviver os acontecimentos durante o sono. Também demonstra que o cérebro é mais rápido a recapitular esses mesmos acontecimentos do que é a passar realmente por eles.

Os investigadores, liderados por Bruce McNaughton, treinaram dois ratos para correr para uma série de diferentes localizações numa dada área em períodos de actividade de 50 minutos. Após desempenharem a tarefa, era permitido aos ratos dormirem um período de tempo até uma hora.

Durante a experiência, os investigadores seguiram a actividade de células cerebrais seleccionadas do CPFm dos ratos. Enquanto desempenhavam a tarefa, as células mostravam um padrão de actividade característico, que se repetia, mas com velocidade superior, durante o sono que se seguia.

Durante o sono, o cérebro dos ratos repetia esta actividade característica a cerca de seis ou sete vezes a velocidade original, relata McNaughton na edição desta semana da revista Science.

A repetição observada é consistente com o papel do CPFm na memória a longo prazo. Experiências muito recentes são recapituladas com a ajuda de uma estrutura cerebral chamada hipocampo, e os cientistas pensam que, durante o sono, as memórias são 'transferidas' da armazenagem no hipocampo a curto prazo para uma localização a longo prazo no CPFm.

A recapitulação acelerada tem sido observada noutras regiões cerebrais associadas à memória, incluindo o hipocampo, mas esta é a primeira vez que foi observada no CPFm, diz Matthew Wilson, neurobiólogo do Instituto de Tecnologia do Massachusetts em Cambridge. "Coloca o córtex pré-frontal fortemente no centro do processamento coordenado da memória durante o sono."

 

Não é claro porque motivo o cérebro recapitula os eventos mais depressa do que realmente aconteceram, admite McNaughton. Ele sugere que o percurso feito pelas ligações entre neurónios pode ter uma velocidade intrínseca que resulta do movimento de cargas eléctricas e que o cérebro tem que 'abrandar' quando trabalha sob os constrangimentos de ter que desempenhar comportamentos reais.

"Acho que é uma ideia muito convincente", concorda Wilson. Os surtos observados de recapitulação nos cérebros dos ratos duraram apenas algumas centenas de milissegundos cada um, sugerindo que os cérebros dos roedores estavam a repetir pequenos segmentos da sua experiência e a processá-los em pequenos pacotes de memória.

Processos semelhantes ocorrem, quase de certeza, no cérebro humano durante o sono, diz Wilson, e podem mesmo estar associados aos sonhos. "Acredito que estes fenómenos estão directamente correlacionados com os estados de sonho que os humanos relatam", acrescenta ele.

Geralmente não é possível investigar o cérebro humano adormecido com tanto detalhe como com ratos, devido às considerações éticas mas Wilson espera que, tanto os estudos com cérebros de rato como investigações sobre o sono em humanos possam evoluir e se feche o espaço entre as duas.

"Em estudos sobre o sono com humanos é difícil perceber o que se passa mas é possível verificar as consequências das actividades relacionadas com o sono", diz Wilson. Ainda assim, ele pensa que "há uma sobreposição, há convergência e consistência" entre o que se passa nos cérebros de ratos e humanos enquanto adormecidos. 

 

 

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