2007-11-10

Subject: O risco dos contraceptivos

 

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O risco dos contraceptivos

 

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Dois estudos surgiram esta semana alertando para consequências na saúde a longo prazo da pílula contraceptiva mas significa isso que a pílula é perigosa? 

Afinal o que se diz da pílula?

Os investigadores  descobriram que a acumulação de placas nas artérias é maior em mulheres que usam a pílula do que naquela que nunca a usaram. As placas são formadas por gordura endurecida e colesterol que pode obstruir as artérias e conduzir a a doenças cardiovasculares.

Investigadores da Universidade de Ghent na Bélgica estudaram mais de mil mulheres que tomaram contraceptivos orais durante algum tempo e depois pararam. Descobriram um aumento de 20-30% na quantidade de placas por cada década que as mulheres tomavam a pílula. Os resultados foram apresentados esta semana no encontro da American Heart Association em Orlando, Florida, mas ainda não foram publicados.

Entretanto, outro estudo publicado esta semana na revista The Lancet confirma descobertas anteriores acerca de o risco de cancro cervical ser superior em mulheres que tomam a pílula. O risco volta ao normal no espaço de 10 anos após deixar a pílula, descobriram eles.

Significa isto que as mulheres que tomam pílula devem ficar assustadas?

Não. O risco global de cancro cervical associado à contracepção não é novidade e apesar das descobertas sobre o entupimento das artérias serem novas, também são preliminares, alerta Sharonne Hayes, directora da Women’s Heart Clinic na Mayo Clinic de Rochester, Minnesota.

“Sabemos que quando estamos a tomar contraceptivos orais há um risco acrescentado a nível cardiovascular”, diz Hayes. Mas vários estudos anteriores mostraram que o risco se reduz após as mulheres deixarem a pílula. Para além disso, as mulheres no estudo das placas tinham tomado as primeiras pílulas, com uma dose superior de hormonas.

“É uma descoberta interessante e temos que analisar isto melhor", diz Hayes. “Mas não devemos tirar demasiadas elações para já."

Se as descobertas acerca do cancro cervical não são novas, que mais sabemos acerca da pílula contraceptiva e riscos para a saúde?

Estudos mostraram que a pílula pode aumentar o risco de enfarte, cancro cervical, doenças cardiovasculares e cancro da mama mas outros estudos também mostraram que protege contra os cancros dos ovários, endométrio, da mama e acne.

Como pode o cancro da mama estar em ambas as listas?

O júri ainda não decidiu acerca do cancro da mama. A doença está associada aos níveis hormonais, logo faz sentido procurar uma ligação com a pílula. 

Uma análise de mais de 150 mil mulheres de todo o mundo encontrou um ligeiro aumento da incidência de cancro da mama em mulheres que tomavam a pílula. Mas outros estudos não encontraram esse aumento e um estudo publicado no mês passado descobriu que o uso da pílula não afectava a probabilidade de morte com cancro da mama em mais de 4 mil mulheres diagnosticadas com a doença.

Diferentes pílulas contêm diferentes teores de hormonas, por isso algumas das fórmulas podem mesmo reduzir o risco de cancro da mama, diz Hayes.

 

Como se relacionam os riscos e os benefícios?

Um estudo recente de cerca de 46 mil mulheres encontrou um pequena redução no risco total de cancro em mulheres que usavam pílula (a redução do risco de cancro dos ovários e do endométrio é geralmente vista como suplantando o aumento do risco de cancro cervical e da mama). 

Mas a maioria dessas mulheres eram brancas e do Reino Unido, pelo que os resultados podem não ser verdadeiros para outras populações noutros locais. A maioria dos factores de risco, como quantas gravidezes teve e que idade tem quando tem as crianças, variam muito entre culturas.

"Se a utilização da pílula permite ter menos crianças e ter a primeira mais tarde, só isso já reduz o risco de cancro cervical", diz Jane Green, epidemiologista do cancro na Universidade de Oxford e autora de um estudo recente sobre o cancro cervical.

O risco de enfarte durante o tempo de gravidez e período pós-parto é o dobro daquele resultante da contracepção, acrescenta Green.

Mas alguém é capaz de dizer se a pílula faz bem ou mal?

"É muito difícil dar esse tipo de resposta", diz Green.

Mas porque é tão complicado dar uma resposta directa?

Para além das diferenças entre populações de mulheres, os resultados dos estudos podem tornar-se pouco claros devido às diferenças na composição e concentração de hormonas nas muitas pílulas que existem no mercado, diz Hayes. “Não podemos colocar todos os contraceptivos orais no mesmo saco."

Muitos estudos começaram há anos ou mesmo décadas, quando as pílulas continham níveis mais elevados de hormonas e as hormonas tinham origens diferentes. “Os medicamentos que usamos agora são muito diferentes", diz Hayes.

“Este é um dos problemas que enfrentamos cada vez mais na medicina. Começamos um estudo e o tratamento evolui radicalmente entre o início e o fim do estudo. Podemos ter excelentes resultados mas não necessariamente clinicamente relevantes."

E, salienta Hayes, a concepção dos estudos nem sempre é a ideal. “Seria muito complicado randomizar um teste clínico de contraceptivos", diz ela. 

 

 

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