2007-11-09

Subject: Sapos acasalam fora da sua espécie

 

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Sapos acasalam fora da sua espécie

 

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Quando as chuvas de Primavera ensopam o ocidente dos Estados Unidos, dois tipos de sapo emergem das suas tocas subterrâneas e convergem sobre as poças e lagos em busca de um parceiro adequado.

Os machos enchem o ar da noite com uma cacofonia de coaxares e as fêmeas usam essas canções para escolher um bom parceiro. 

Com uma única época de acasalamento por ano, as raparigas são muito exigentes na escolha, mas surpreendentemente os investigadores descobriram que em algumas condições elas escolhem um parceiro de outra espécie. 

Karen Pfennig, bióloga da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, descobriu que as fêmeas tomam esta medida de acasalamento extrema como forma de garantir que a sua descendência tem a melhor hipótese de sobrevivência, mesmo que isso signifique esses mesmos descendentes tenham uma menor probabilidade de se reproduzirem com sucesso.

As duas espécies de sapo envolvidas, Spea bombifrons e S. multiplicata, parecem a mesma coisa ao olhar destreinado mas S. bombifrons tem um focinho mais curto e um alto entre os olhos, enquanto S. multiplicata não em o alto e tem um focinho mais longo, "como o do sapo Cocas", explica Pfennig.

Geralmente, quando há acasalamentos entre espécies diferentes os descendentes são estéreis mas quando estas duas espécies de sapo acasalam, surgem machos que podem, ou não, ser estéreis e fêmeas que produzem cerca de metade dos ovos. É suficiente para os cientistas os considerarem espécies diferentes e para os indivíduos evitarem os cruzamentos interspecíficos. 

No entanto, Pfennig já tinha antes notado que existem circunstâncias em que fêmeas S. bombifrons arriscam e procuram um macho de outra espécie.

Para investigar esta situação com mais cuidado, Pfennig reproduziu gravações das canções dos machos de cada uma das espécies: o coaxar de barítono do S. multiplicata (veja o vídeo) num altifalante e o coaxar de tenor do S. bombifrons noutro (veja o vídeo). Registou, de seguida, de qual altifalante as fêmeas S. bombifrons se aproximavam.

As fêmeas S. bombifrons tinham maior probabilidade de abordar o chamamento de um macho S. multiplicata quando estavam em águas rasas, descobriu ela.

 

Este facto sugere que S. bombifrons pode beneficiar de alguma forma da hibridação quando as águas são rasas. Uma possibilidade é que os sapos precisam que a descendência se desenvolva mais rapidamente quando o fornecimento de água é curto, logo os girinos passam a sapos antes de as poças secarem. S. bombifrons são mais lentos a desenvolver-se mas tanto S. multiplicata como os híbridos são mais rápidos.

Testes de campo confirmaram que os girinos híbridos têm maior probabilidade de sobreviver à metamorfose em poças a secar rapidamente. 

Outros animais variam as suas preferências sexuais de acordo com o meio mas esta é a primeira vez que se demonstrou que condições ambientais adversas conduzem um animal a quebrar a barreira da espécie.

“É espectacular", comenta Maurice Sabelis, da Universidade de Amesterdão. “Temos um exemplo de uma espécie que depende de outra para produzir descendência viável."

Este tipo de dependência de outra espécie pode ter implicações para os investigadores que tentam preservar os sapos, salienta Sabelis. Os investigadores devem ter em conta que as coisas podem ser bem mais complicadas do que tinham assumido, diz ele. “É um alerta para as complexidades que podem desempenhar um papel crucial na conservação das espécies."

Pfennig refere que os resultados enfatizam que a selecção de parceiros não é apenas uma questão de avaliar um ornamento do macho. “As fêmeas estão provavelmente a avaliar muito mais do que o comprimento da causa de um macho", diz ela, “elas são provavelmente mais sensíveis às suas próprias condições e ambiente quando escolher um parceiro." 

 

 

Saber mais:

Ter-se-ão os Homens modernos e de Neanderthal cruzado entre si?

 

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