2007-11-07

Subject: Composto acalma ratos violentos

 

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Composto acalma ratos violentos

 

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Os investigadores descobriram um composto que pode reduzir o comportamento agressivo em ratos selvagens treinados para se tornarem violentos.

Ainda que a descoberta possa não levar directamente à cura para a violência patológica em humanos, revela um mecanismo por trás dessa violência, dizem os investigadores, o que pode abrir a porta para tratamentos futuros.

Sietse de Boer, da Universidade de Groningen, Holanda, que desenvolveu o primeiro modelo animal da agressividade patológica, relatou as suas descobertas no encontro da Sociedade de Neurociência a decorrer em San Diego.

Apesar da violência ser um problema social importante, até agora os cientistas apenas conseguiram estudar a agressividade 'normal' em animais, como a luta por recursos limitados ou parceiros sexuais. Estes estudos são geralmente feitos usando roedores normais de laboratório, criados ao longo de décadas para serem dóceis e fáceis de manusear pelos investigadores.

Por esse motivo, este estudo foi realizado com ratos selvagens. Apesar dos machos lutarem com outros machos, não atacam as fêmeas, preferindo cortejá-las em busca de favores sexuais. Também não lutam com um 'intruso' anestesiado, reconhecendo que não representa uma ameaça mas de Boer conseguiu alterar esta situação, treinando os ratos para serem violentos gratuitamente.

A equipa engendrou características violentas ao introduzir ratos intrusos fracos que tinham todas as probabilidades de perder as batalhas, todos os dias durante dua sou três semanas. Depois de vitórias repetidas sobre outros ratos, os animais de teste começaram a comportar-se de uma forma mais patologicamente violenta, combatendo todos os novos de forma mais brutal, incluindo fêmeas fracas e machos sem sentidos, que não eram ameaça para eles.

De seguida, de Boer analisou os níveis do neurotransmissor serotonina nos cérebros dos ratos. Níveis baixos estão fortemente associados a comportamento agressivo e as pessoas patologicamente violentas têm níveis baixos de metabolitos de serotonina no líquido da espinal medula. Para além disso, alguns antidepressivos que aumentam o nível de serotonina sabe-se que reduzem o comportamento violento em algumas pessoas.

Apesar dos níveis de serotonina não se alterarem em ratos como resultado dos actos agressivos 'normais', de Boer descobriu que esses níveis tinham realmente afundado nos seus ratos patologicamente agressivos.

Os investigadores também descobriram que conseguiam alterar o comportamento agressivo dos seus ratos manipulando o sistema da serotonina. Administraram aos ratos S-15535, um composto que se liga exclusivamente a um neurónio 'autoreceptor' que atenua a acção do sistema da serotonina. Este autoreceptor chamado 5-HT1a, quando ligado ao composto, permite que os níveis de serotonina regressem ao normal.

 

Mesmo quando usava doses muito baixas de S-15535 para se ligarem aos receptores, de Boer descobriu que tanto a serotonina como a violência dos ratos patologicamente agressivos voltavam ao normal. Mesmo a violência muito mais limitada dos ratos naturalmente pouco agressivos podia ser trazida de volta ao normal pelo composto, mas neste caso eram necessárias doses mais elevadas. O composto parece funcionar ao 'consertar' o sistema de degradação da serotonina, que fica desregulado nos ratos super-agressivos, diz de Boer.

Ao contrário de um tranquilizante, o S-15535 não torna os ratos letárgicos ou 'aluados', reduz a sua agressividade sem alterar os restantes comportamentos.

Não é claro se o S-15535 é um bom candidato a medicamento para as pessoas patologicamente violentas. "Não consigo imaginar que seja possível relacionar um comportamento tão complexo como a violência patológica em humanos com um único receptor celular", diz de Boer.

Ainda assim, o estudo prova que a serotonina desempenha um papel importante no comportamento anormalmente violento e a compreensão do sistema que a regula é o primeiro passo para ser capaz de a controlar, salienta ele.

Investigadores do Laboratório de Biologia Molecular de Monterotondo, Itália, confirmaram independentemente a importância do autoreceptor 5-HT1a na agressão. No mesmo encontro, Enrica Audero relatou o resultado de experiências feitas com ratos geneticamente modificados de forma a expressar o gene para este autoreceptor em excesso. Ela descobriu que quando activavam a expressão do gene os ratos se tornavam mais agressivos e quando a desactivavam os animais voltavam ao normal. "Os dois estudos apontam na mesma direcção", diz Audero.

 

 

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