2007-11-01

Subject: Toxina modificada ajuda a matar insectos resistentes

 

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Toxina modificada ajuda a matar insectos resistentes

 

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Uma forma modificada de um pesticida vulgar pode um dia fornecer aos agricultores uma nova arma contra o desenvolvimento de resistências entre as pragas de insectos.

O novo composto é uma versão modificada das toxinas BT, uma classe de compostos químicos que tem como algo específico certas espécies de lagartas e são produzidos naturalmente pela bactéria Bacillus thuringiensis

Há muito que os agricultores utilizam sprays BT para proteger as suas culturas e plantas de algodão e milho foram geneticamente modificadas para passarem a produzir elas próprias a toxina, sendo cultivadas há mais de uma década. Em 2006, mais de 30 milhões de hectares de culturas BT foram plantadas em todo o mundo.

A alteração de uma pulverização periódica das culturas para o cultivo de plantas que produzem continuamente a toxina tem o potencial para acelerar a emergência de insectos resistentes à BT. "É quase inevitável que surja mais resistência às toxinas BT agora que estão a ser usadas de forma mais vasta", diz Bruce Tabashnik, entomologista na Universidade do Arizona em Tucson, e membro da equipa de investigação.

Até agora, estas preocupações ainda não se materializaram, a resistência apenas foi documentada no campo para duas espécies de insectos: as traças dorso-de-diamante Plutella xylostella e as lagartas da couve Trichoplusia ni, ambas responsáveis por devorar culturas vegetais. Os insectos resistentes foram descobertos em campos e estufas pulverizadas com BT, mas surpreendentemente não em campos com plantas produtoras de BT.

Os investigadores e regulamentadores continuam a seguir a ameaça de resistência e a procurar novas armas contra as pragas que ameaçam as culturas. "Agora trata-se mais do potencial risco de resistência ao BT do que propriamente casos documentados", diz Tabashnik.

Agora, Mario Soberón e Alejandra Bravo, da Universidade Nacional Autónoma do México em Morelos, criaram uma nova forma de afastar as pragas ao modificar as toxinas BT para que resistam à resistência dos insectos.

As toxinas BT funcionam ao ligar-se a receptores específicos presentes apenas no tubo digestivo dos insectos. As moléculas do BT aglutinam-se e originam buracos nas membranas celulares. A forma mais vulgar como os insectos contornam este destino negro é reduzir a capacidade da toxina para se ligar a esses receptores.

 

Os investigadores descobriram que quando apagam uma região específica da toxina BT, esta já não precisa de se ligar a um receptor para matar o hospedeiro. Testaram duas versões da nova toxina contra insectos resistentes à BT Pectinophora gossypiella, que atacam o algodão, criados em laboratório. Os insectos eram pelo menos cem vezes mais susceptíveis a uma forma da toxina BT modificada do que ao composto natural, relatam os investigadores. A outra versão da toxina modificada matou todos os insectos 'resistentes'.

“Estas modificações dirigidas à produção de toxinas feitas por encomenda podem ajudar muito no controlo da resistência", diz David Andow, entomologia da Universidade do Minnesota em St Paul. Mas são necessários mais testes antes de se libertar a toxina no campo.

A toxina modificada vai provavelmente precisar de mais avaliações antes de se garantir a sua segurança em humanos, salienta Andow. Se a toxina passar esses testes, diz ele, “teremos um novo procedimento à disposição".

Entretanto, se a BT modificada pode ser utilizada para criar uma nova geração de culturas geneticamente modificadas depende da forma como a proteína se portar no interior de uma célula vegetal, alerta o entomologista William Moar, da Universidade de Auburn no Alabama. Algumas proteínas apenas são produzidas em níveis baixos ou são degradadas pelas enzimas vegetais logo após a sua produção.

Entretanto, as firmas de biotecnologia já estão a avaliar activamente outras opções. Alguns agricultores já cultivam plantas transgénicas que contêm dois tipos de toxinas BT, que se ligam a receptores diferentes. A esperança de que os insectos não consigam tornar-se resistente às duas toxinas, pois levaria mais tempo do que a apenas uma. Investigadores também já estão a desenvolver uma toxina completamente diferente, vulgarmente produzida por bactérias que vivem no intestino de nemátodos.

Moar concorda que a BT modificada pode ser uma adição útil ao arsenal dos pesticidas. “Quanto mais opções tivermos, mais podemos rodar as colheita e melhores as hipóteses de lutar contra a resistência." 

 

 

Saber mais:

Culturas transgénicas relativamente benignas para os insectos

 

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