2007-10-30

Subject: Esperança para anfíbios com descoberta sobre fungo assassino

 

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Esperança para anfíbios com descoberta sobre fungo assassino

 

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Cientistas da Nova Zelândia descobriram o que parece ser a cura para a doença responsável por dizimar muitas das populações mundiais de anfíbios. O cloranfenicol, actualmente usado como unguento para os olhos em humanos, pode muito bem ser o salva-vidas dos anfíbios, dizem eles.

Os investigadores descobriram que rãs mergulhadas na solução de cloranfenicol se tornavam resistentes a esta doença fúngica assassina, a quitridiomicose. A doença já foi considerada a culpada pela extinção de cerca de um terço das 120 espécies perdidas desde 1980. 

A temida quitridiomicose pode pode acabar com a rã de Archey Leiopelma archeyi, uma espécie neozelandesa criticamente ameaçada, motivo porque os investigadores andavam em busca de um composto que matasse o fungo Batrachochytrium dendrobatidis, que a desencadeia.

Testaram o cloranfenicol em duas espécies introduzidas na Nova Zelândia a partir da Austrália, o a rã castanha das árvores Litoria ewingii e e a rã sino L. raniformis. Descobrimos que podíamos curá-los completamente da quitridiomicose", diz Phil Bishop, da Universidade de Otago. "E mesmo quando o grupo de controlo estava mesmo doente, conseguimos quase que ressuscitá-los. Quando estão muito doentes, podemos colocar os animais de costas que eles não se endireitam, ficam ali de costas, mas se os tratássemos com cloranfenicol levantavam-se logo."

Mas a Zoological Society of London (ZSL) expressou grande cautela em relação a esta notícia. O epidemiologista da vida selvagem Trent Garner considera que haverá relutância em aceitar o cloranfenicol como solução, pelo menos na Europa e na América do norte, porque o produto está associado a efeitos secundários perigosos em humanos.

Os investigadores neozelandeses tentaram utilizar o cloranfenicol tanto como unguento, aplicado no dorso das rãs, como em solução. Descobriram que colocar os animais na solução tinha melhores resultados e admitem que eles próprios ficaram surpresos com os resultados.

"Geralmente não se está à espera que os antibióticos façam alguma coisa contra fungos mas neste caso teve efeito. Não compreendemos muito bem como actua mas realmente funciona", diz Russell Poulter.

O que são os Anfíbios?

Frog (BBC)

São um grupo de vertebrados que inclui sapos, rãs, salamandras e cecílias. O seu ciclo de vida inclui metamorfoses.

Os primeiros verdadeiros anfíbios evoluíram há cerca de 250 milhões de anos, adaptando-se a muitos habitats, terrestres e aquáticos.

Actualmente existem em todos os continentes, excepto na Antárctida.

Poulter, o biólogo molecular que descobriu este efeito do cloranfenicol, acrescenta: "Tem ainda a vantagem de ser incrivelmente barato."

Os cientistas estão agora a divulgar a sua investigação antes da publicação oficial numa revista científica, devido à urgência de um tratamento seguro e eficaz contra a quitridiomicose, pois o golpe que a doença já desferiu nas populações de anfíbios é imenso.

A doença deve ser responsável por um terço de todas as espécies de anfíbios perdidas até à data, diz Rick Speare, perito em doenças de anfíbios na Universidade de Otago.

Estas perdas são enormes e vem somar-se a outras ameaças, como a destruição do habitat, alterações climáticas, poluição e caça.

 

Desde 1980, mais de 120 espécies de anfíbios desapareceram e de acordo com a World Association of Zoos and Aquariums mais espécies irão desaparecer num futuro próximo. "Estamos a perder um grande número destes animais e se não fizermos algo inteligente vamos perder muitos mais", diz Poulter.

Uma descoberta encorajadora é que as rãs introduzidas que foram infectadas com fungos quitrídios são agora muito mais resistentes a outro tipo de infecção. "Não percebemos muito bem como é que isso funciona", diz Bishop. "Pode ser algo natural, se uma rã sobrevive a uma infecção de quitrídios, ganha resistências contra uma futura infecção."

Os investigadores acreditam que os zoos terão agora mais opções, tanto para controlar o surto da doença, como para salvar anfíbios selvagens infectados. O próximo desafio é encontrar um tratamento que actua na natureza.

"Eu ficava muito satisfeito se pudéssemos dizer, daqui a 10 anos, que temos que andar com cuidado no Parque Nacional Kosiuszko na Austrália, porque há rãs por todo o lado e podemos pisar uma", diz Poulter.

Ainda assim, até que ponto o cloranfenicol pode ser usado de forma generalizada ainda está ser debatido. As autoridades europeias e americanas estão preocupadas com a possibilidade de o antibiótico causar anemia aplástica em humanos. "É uma substância proibida, em particular quando entra em contacto com fontes de alimento", refere Garner da ZSL.

"Existem outros antifúngicos em fase de testes e que parecem bastante prometedores. Tratar a infecção dos anfíbios é possível mas determinar se não vão existir efeitos secundários nefastos demora o seu tempo. Além disso, como aplicar um antifúngico a um indivíduo, a uma população ou a uma espécie exige uma série de questões que têm que ser analisadas." 

 

 

Saber mais:

University of Otago

Zoological Society of London

Global Amphibian Assessment

Probióticos podem ajudar anfíbios

"Toque a reunir" para salvar anfíbios

Morte de anfíbios associada ao aquecimento global

Caça excessiva é uma ameaça para os grandes anfíbios

Plano de acção para salvar anfíbios vai custar milhões

 

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