2007-10-24

Subject: Níveis de gases de efeito de estufa estão a acelerar

 

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Níveis de gases de efeito de estufa estão a acelerar

 

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Os níveis dos gases de efeito de estufa estão a aumentar mais rapidamente esta década do que durante a década de 90, revela uma nova análise agora conhecida. 

A investigação atribui a culpa desta aceleração a uma combinação de factores, incluindo o crescimento económico, a utilização intensiva de combustíveis fósseis e, talvez de forma mais preocupante, no aparente declínio da capacidade dos oceanos em absorver o dióxido de carbono da atmosfera.

Antes de 2000, os níveis atmosféricos de dióxido de carbono tinham subido cerca de 1,5 partes por milhão (ppm) por ano, mas desde a viragem do século deram um salto para 1,9 ppm por ano, diz Josep Canadell, do Global Carbon Project de Camberra, Austrália, que liderou este estudo.

De acordo com esta análise, quase dois terços da alteração devem-se ao aumento da actividade económica mundial, mais ou menos metade do restante deve-se a um aumento da dependência dos combustíveis fósseis com alto teor de emissões por todo o mundo, com a China a ser um contribuinte importante, diz Canadell.

O resto da diferença observada é explicada pelo pior desempenho dos oceanos como sumidouros de dióxido de carbono, diz Canadell. "Há 50 anos, se emitíssemos uma tonelada de CO2, sumidouros como os oceanos removeram 600 Kg dele, agora remove apenas 550 Kg e continua a piorar."

Não é claro porque esta capacidade dos oceanos está em declínio mas pensa-se que as camadas superficiais possam estar a ficar saturadas de gases de efeito de estufa, em parte devido ao aumento da sua concentração na atmosfera e em parte por causa da redução na mistura das águas, que traria águas menos saturadas para a superfície.

Canadell estudou medições disponíveis dos níveis de dióxido de carbono por todo o mundo entre 1959 e 2006. Analisou em detalhe as tendências dos emissores e sumidouros desde 1959 até 2000, e projectou-as até 2006. Ao comparar estas projecções com o que realmente aconteceu, identificou as alterações chave que levaram a este aumento ao longo dos últimos anos.

Canadell diz que os modelos usados pelo Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) não previram este rápido declínio do desempenho do sumidouro oceânico, pois apenas agora os dados estão a realçar o problema.

Noutro novo estudo, Ute Schuster e Andrew Watson, da Universidade de East Anglia em Norwich, analisaram a absorção de dióxido de carbono no Atlântico norte usando dados recolhidos por instrumentos a bordo de navios comerciais. Relatam que em algumas áreas do Atlântico norte a capacidade dos oceanos absorverem dióxido de carbono sofreu um declínio de mais de metade desde meados dos anos 90.

 

A descoberta chega 3 meses após os investigadores relatarem um processo semelhante no oceano Antárctico, levando à conclusão que os oceanos terrestres estão a perder a sua capacidade de armazenar dióxido de carbono produzido pelo desenvolvimento humano.

O panorama geral é que a taxa a que o dióxido de carbono se está a acumular na atmosfera significa que os níveis de gases de efeito de estufa estão agora em linha com o cenário mais pessimista de emissões traçado pelo IPCC.

Canadell chama a esta aceleração observada "quase disparada. Quanto mais tempo esperamos para implementar os cortes nas emissões mais difícil será controlá-las porque os sumidouros cada vez nos ajudam menos."

A controvérsia acerca da abordagem mundial ao controlo das alterações climáticas tem sido pontuada por comentários recentes do paleontólogo e activista climático australiano Tim Flannery salientando que os níveis globais de seis gases de efeito de estufa abrangidos pelo Protocolo de Kyoto sobre alterações climáticas representam agora o poder de aquecimento global equivalente a 455 ppm de dióxido de carbono. isto, diz ele, significa que os líderes mundiais já falharam os patamares cruciais para se evitar as "alterações climáticas perigosas".

O climatólogo Gavin Schmidt, do NASA/Goddard Institute of Space Studies de Nova Iorque, concorda que os níveis globais de 'gases de Kyoto', incluindo dióxido de carbono e metano, certamente já ultrapassaram os 450 ppm equivalentes de CO2. "Mas este não é o número que controla o aquecimento que a Terra irá sofrer", explica ele. 

Schmidt salienta que Flannery se esqueceu de mencionar que há factores que contrabalançam este feito, como os efeitos reflectores de luz solar das nuvens e das partículas sulfurosas em aerossol, que fazem descer os níveis globais para cerca de 370 ppm de equivalente a dióxido de carbono. A teoria é "complicada e não ajuda que as pessoas só analisem parte dela". 

 

 

Saber mais:

Global Carbon Project

Intergovernmental Panel on Climate Change

RealClimate

 

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