2007-10-21

Subject: Sapos invasores têm artrite

 

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Sapos invasores têm artrite

 

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Para os sapos dos canaviais, a praga que assola o norte da Austrália, espalhar-se para cada vez mais longe, cada vez mais depressa é, literalmente, um trabalho de partir as costas, revela um estudo agora conhecido.

Os sapos que saltam, e por isso povoam novos territórios, mais rapidamente têm normalmente patas maiores e mais longas mas esta vantagem tem também o seu reverso: até 10% dos maiores destes sapos invasores sofrem de artrite, revelaram os cientistas.

Estes sapos grandes e amarelados, nativos das Américas Central e do Sul, foram introduzidos no estado australiano de Queensland em 1935 numa tentativa de combater os escaravelhos da cana-de-açúcar que devastavam as colheitas.

Agora, cerca de 200 milhões destes sapos venenosos vivem no país e estão rapidamente a espalhar-se por todo o norte australiano a uma velocidade de 60 Km por ano. 

Os sapos têm tido um severo impacto nos ecossistemas australianos. Predadores, e muitas vezes animais domésticos, que os comem morrem imediatamente envenenados e os próprios sapos devoram tudo o que lhes aparece à frente e lhes caiba na boca. Para além disso, os sapos também competem com os anfíbios nativos pelo habitat.

O co-autor do estudo Rick Shine é professor de Biologia Evolutiva na Universidade de Sydney e comenta: "Tem-se dado muita atenção ao impacto das espécies invasoras nos ecossistemas naturais mas tem-se pensado menos nos desafios que os próprios invasores enfrentam."

Shine estudou perto de 500 sapos conservados de três populações: uma de Queensland e duas do Território do Norte. Os sapos do Território do Norte que estudaram eram muito diferentes dos seus primos de Queensland. "São muito activos, correm ao longo das auto-estradas e reproduzindo-se pelo caminho. Estão a deslocar-se o mais rápido e para o mais longe que se consegue imaginar."

Segundo ele, os sapos mais rápidos deslocam-se um quilómetro por noite. "Os sapos com patas maiores estão a deslocar-se mais depressa e a maior distância, enquanto os restantes ficam para trás. É um fenómeno evolutivo clássico, a sobrevivência do mais rápido."

Shine acredita que os sapos que estão a liderar a invasão são a descendência dos maiores e mais rápidos mas essa velocidade e força têm um custo: artrite na coluna devido ao constante desgaste e a uma maior susceptibilidade a uma bactéria do solo que contribui para o desenvolvimento de uma doença degenerativa das articulações.

 

"Os sapos não são construídos para seres cavaleiros do asfalto", diz Shine. "São construídos para ficar sentados num pântano. Eles estão a esforçar-se tanto contra os constrangimentos do seu corpo que estão a forçar demasiado a coluna e o sistema imunitário." Não é vulgar os sapos e as rãs terem artrite, conclui ele.

David Skelly é professor de ecologia na Universidade de Yale em New Haven, Connecticut e considera que Shine respondeu a uma questão que poucos biólogos se preocuparam em colocar: qual é o efeito da invasão no invasor? "A biologia das invasões é um campo enorme e ao colocar esta questão invulgar estes investigadores vão ter uma enorme influência na forma como as invasões serão estudadas no futuro."

Por exemplo, compreender as doenças dos invasores pode ser muito útil na identificação de possíveis métodos de os controlar, como é proposto no artigo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Graeme Sawyer é o fundador da organização comunitária dos Território do Norte FrogWatch, que acompanha e tenta conter o progresso dos sapos dos canaviais. O facto de os sapos dos canaviais ainda estarem a deslocar-se tão depressa para oeste e a perturbar toda a vida selvagem nativa pelo caminho é que é o aspecto importante, diz ele, não o tamanho das suas patas.

Para além disso, também está convencido que a razão do deslocamento rápido tem mais a ver com condições climatéricas: uma estação húmida acelera a sua progressão e uma seca atrasa-os, por exemplo.

Sawyer e a sua equipa de voluntários acabou um projecto experimental que lhes está a dar esperança de erradicar a praga de anfíbios. A equipa colocou vedações em redor dos poços como forma de impedir que os sapos bebam à noite. "Se soubéssemos onde estão todos os poços podíamos destruir a população", diz ele. 

 

 

Saber mais:

FrogWatch Northern Australia

PNAS

Sapos dos canaviais avançam pela Austrália

Serpentes australianas adaptam-se a sapo venenoso

 

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