2007-10-17

Subject: Machos que lutam por parceiras evoluíram para morrer jovens 

 

Bem-vindo(a) a mais uma edição do boletim informativo  News of the Wild

Este boletim é mantido por simbiotica.org, a Rede Simbiótica de Biologia e Conservação da Natureza

Mantenha-se informado das últimas novidades e troque ideias com todos os que fazem parte desta imensa rede!

 

Em destaque:

Machos que lutam por parceiras evoluíram para morrer jovens 

 

  Questões ou comentários para: webmaster@simbiotica.org

Dê a rede simbiotica.org a conhecer a um amigo!!

Os homens envelhecem mais depressa e morrem mais cedo que as mulheres e uma investigação agora publicada sugere que esta característica pode estar associada aos hábitos reprodutores ancestrais da humanidade.

Várias explicações têm sido propostas para a diferença de longevidade entre homens e mulheres: pode ser o resultado dos efeitos envelhecedores da testosterona ou pode ser devida a forças evolutivas, pois os homens morrerem jovens pode aliviar as pressões sobre os recursos disponíveis, ajudando o sucesso da espécie como um todo.

Ou talvez tenha algo a ver com o comportamento de acasalamento: observações casuais já tinham sugerido que a poligamia era uma característica comum entre as espécies em que os machos morrem mais jovens que as fêmeas, incluindo os veados vermelhos, os leões e as focas-elefante. Em espécies mais monogâmicas, incluindo os cisnes de Bewick e as suricatas, não se nota uma diferença entre a longevidade dos sexos.

Assim, Tim Clutton-Brock e Kavita Isvaran, da Universidade de Cambridge, recolheram conjuntos de dados em que as medidas de sobrevivência e as descrições de comportamentos de acasalamento estavam disponíveis para ambos os sexos, para verificar se esta observação se mantinha verdadeira.

Nas espécies monógamas, descobriram que não existiam diferenças consistentes entre a longevidade reprodutiva, taxas de mortalidade anuais ou de envelhecimento dos machos e das fêmeas. Mas quanto mais polígama a espécie era, menor era a longevidade dos machos e do período efectivo de reprodução, relata a equipa na última edição da revista Proceedings of the Royal Society of London B.

Nos veados vermelhos polígamos, por exemplo, os machos vivem 75% do tempo das fêmeas e têm um período efectivo de reprodução de menos de metade do das fêmeas. Nos cisnes, que quase sempre acasalam para a vida (e com menos de 6% de taxa de divórcio), a longevidade e os períodos efectivos de reprodução são quase iguais entre os sexos. 

Os investigadores sugerem que esta pode ser a causa por que as espécies em que os machos lutam pelas fêmeas a evolução favorece o desenvolvimento de características que ajudam a vencer as lutas (como agressividade ou crescimento de armações) à custa da longevidade do macho.

“Precisamos de mais estudos a longo prazo que sigam cada animal individualmente ao longo da sua vida de forma a compreender esta situação melhor", diz Clutton-Brock. “Os resultados podem ser simplificados da seguinte forma: luta com vigor e não só morre jovem mas evolui para morrer jovem", acrescenta Stephen Stearns, da Universidade de Yale em New Haven, Connecticut.

Não é claro até que ponto este trabalho possa ser relevante para as pessoas mas investigações anteriores tinham demonstrado que os primatas e os humanos com níveis aumentados de testosterona reduziam a potência do sistema imunitário de forma a permitir que recursos escassos foram reconduzidos para algo como massa muscular, que seria útil nas competições pelo acasalamento. “Esses resultados podem ser simplificados: ser macho torna-te doente. Este é o tipo de mensagem que todos conseguem perceber e deve levar alguns a reflectir sobre o seu modo de vida", comenta Stearns.

 

No passado, muitos estudos sobre o envelhecimento foram feitos em organismos modelo como as moscas da fruta e ratos de laboratório, acrescenta Stearns. “É uma maravilha ver este tipo de descoberta aplicada a animais no seu ambiente natural."

"O que eu gostaria de ver de seguida são estudos semelhantes com espécies onde a competição reprodutiva é mais intensa nas fêmeas que nos machos, como os maçaricos ou algumas espécies de peixes", refere Clutton-Brock.

 

Outras Notícias:

Focas escandinavas atacadas por vírus mortal

Um vírus desconhecido matou mais de 2300 focas ao largo da costa escandinava este Verão, relatam os cientistas locais. O número de mortes, que vai em 14% da população, deve aumentar ainda mais, dizem eles.

O vírus ataca as vias respiratórias das focas, que sufocam com o seu próprio muco e acabam, na maioria, por morrer no mar. Os cientistas já observaram dificuldades respiratórias em alguns golfinhos pequenos na zona, sugerindo que o vírus pode também estar a infectar essa espécie.

Tero Härkönen, perito em focas no Museu Sueco de História Natural em Kärna, diz que o surto se espalhou a partir da minúscula ilha dinamarquesa de Anholt para o estreito de Skagerrak, que corre entre a Dinamarca, a Noruega e a Suécia, e daí até aos fiordes de Oslo.

Um vírus diferente atacou focas na Europa do norte em 1988 e 2002, dizimando cerca de metade da população em cada ocasião. “A dinâmica da propagação dos 2  vírus é muito semelhante", diz Härkönen.

Virologistas do Instituto Nacional de Veterinária de Uppsala, Suécia, estão a tentar identificar o vírus a partir de amostras retiradas de focas moribundas. 

 

 

Saber mais:

CDC- Healthy Aging

National Institute on Aging

Núcleos celulares enrugados podem fazer-nos envelhecer

 

Comentar

Busca Imprimir  

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!

@ simbiotica.org, 2007


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com