2007-10-16

Subject: Insónia em peixes ajuda a perceber a origem do sono

 

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Insónia em peixes ajuda a perceber a origem do sono 

 

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Os peixes-zebra não tiram mais sonecas durante o dia quando estão privados de sono, revela um novo estudo. 

O trabalho sugere que os peixes são mais capazes de usar as indicações luminosas para permanecer acordados durante o dia que os mamíferos, indicando que a evolução produziu diferentes sistemas de regulação do sono em diferentes grupos de animais.

Todos os animais dormem mas muito fazem-no de formas que os humanos não reconhecem: as vacas dormem de pé, os golfinhos tiram uma soneca separada para cada hemisfério cerebral para conseguirem continuar a nadar e até mesmo as moscas da fruta 'fecham a pestana' aqui e ali nas suas curtas vidas.

A forma de perceber que um peixe-zebra está a dormir, explica Emmanuel Mignot da Universidade de Stanford em Palo Alto, Califórnia, é que a cauda descai, fica imóvel no fundo do aquário e precisa de um pequeno abanão (um choque eléctrico suave serve) para voltar a nadar.

Mignot e a sua equipa gostam de manter os seus peixes-zebra acordados para estudar a forma como o sono, ou a falta dele, afecta estes peixes tão estudados. Ninguém realmente compreende porque as pessoas dormem e a forma como o sono evoluiu é igualmente misteriosa, diz Mignot. 

"O sono é um dos mistérios básicos que ainda permanece intacto, em termos do motivo porque foi seleccionado." Para o compreender, ele está a estudar o sono em animais de cães a peixes-zebra. "É melhor compreender como dormimos ao longo da evolução e então iremos compreender a razão para o sono."

A equipa descobriu que se mantiver os peixes-zebra acordados toda a noite e depois deixar as luzes desligadas, eles irão compensar o tempo de sono que não tiveram mas se os mantiver acordados e depois ligar as luzes, eles não dormem durante o dia seguinte, como os mamíferos fariam.

Para descobrir o que estaria a causar este comportamento, Mignot analisou o que acontece quando uma mutação desliga o único receptor para o neuropéptido do sono hipocretina (também conhecida por orexina) nos peixes-zebra.

Em mamíferos, uma falha dessas no sistema da hipocretina causa a narcolepsia, um síndroma que causa vontade indomável de dormir de dia e insónia à noite, bem como colapsos musculares chamados catalepsia. Mas nos peixes, apenas parece causar insónias nocturnas.

 

Mignot pensa que a luz e a hormona que desencadeia, a melatonina, suprime o sono de forma tão forte nos peixes que eles 'esquecem' qualquer carência de sono da noite anterior. Ao contrário dos mamíferos, apenas precisam do sistema de hipocretina para regular o sono nocturno. 

Estudos psicológicos apoiam esta teoria: algumas aves parecem comportar-se da mesma forma, acrescenta Mignot, indicando que a luz e a regulação do dia dominada pela melatonina pode ser ser vulgar na árvore evolutiva dos não mamíferos.

"Acredito que o papel da luz e da melatonina chegaram a uma espécie de encruzilhada. A dada altura tornou-se menos eficiente e os animais tiveram de desenvolver uma forma diferente de promover o estado de vigília", diz Mignot.

A descoberta contradiz trabalhos anteriores que tinham descoberto que a hipocretina aumenta o estado de vigília tanto durante o dia como de noite nos peixes-zebra, ainda que fosse em larvas e não em adultos. "É preciso estudar melhor os mutantes para o receptor da hipocretina par perceber estas discrepâncias", diz Alexander Schier da Universidade de Harvard em Cambridge, Massachusetts, um dos autores do estudo anterior.

Mignot tem vindo a mapear a neuroquímica do sono em humanos, roedores e um grupo de cães narcolépticos desde há anos.

Ele diz que gostaria de ver mais trabalho com outro tipo de animais, de forma a formar uma árvore evolutiva do sono. Por enquanto vai continuar com os peixes-zebra, diz ele, mas adoraria estudar o sono em animais como o ornitorrinco. "Adoraria fazer este tipo de estudo num monotrémato, para descobrir se encontrávamos um ornitorrinco narcoléptico." 

 

 

Saber mais:

Mignot's lab

 

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