2004-01-25

Subject: Caça altera fundo genético das espécies

News of the Wild

 

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Caça altera fundo genético das espécies 

 

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Os cornos dos carneiros bighorn Ovis canadensis estão cada vez menores, pois os caçadores abatem preferencialmente os carneiros mais impressionantes antes que estes atinjam o seu auge reprodutor. 

Um estudo realizado em populações de carneiros no Canadá mostra que a caça pode alterar o fundo genético de uma espécie em apenas alguns anos. Resulta daqui que se deviam aplicar restrições maiores ao tipo de animal a ser abatido, comenta David Coltman, da Universidade de Sheffield no Reino Unido, pois este tipo de selecção é crucial. 

Há muito que os biólogos suspeitam que a caça pode afectar a evolução animal. A caça furtiva ao elefante, por exemplo, parece ter aumentado o número de animais sem presas em África. No Canadá, a caça ao alce também parece estar a conduzir ao surgimento de animais com armações cada vez menores. 

Para descobrir exactamente qual é a relação estre a caça e a evolução do fundo genético das populações, Coltman e seus colegas estudaram os carneiros de Ram Mountain, em Alberta. Esta província canadiana é o lar do maior carneiro bighorn do mundo, o que a torna um verdadeiro íman para os caçadores.

Desde 1975, 57 dos carneiros de Ram Mountain foram abatidos, cerca de 10% do número total de machos da população por ano. Em 1996, o governo restringiu a caça a machos com cornos grandes e que fizessem uma curva completa, o que reduziu o abate a zero animais nos anos mais recentes. 

Coltman observou carneiros de 1971 a 2002 e descobriu que o tamanho dos cornos se reduziu em cerca de 1/4 durante esse período. Apesar da recente diminuição da caça com as novas regras, o tamanho dos cornos não recuperou. 

O tamanho dos cornos é geralmente relacionado com carneiros grandes e saudáveis, refere Coltman, pelo que o efeito na genética da população é provavelmente mais profundo do que apenas no tamanho dos cornos. 

 

Ele suspeita que a caça também está a influenciar o comportamento reprodutor dos animais, com cada vez menos carneiros a realizar os combates ritualizados de choque de cornos para a obtenção de fêmeas. 

Uma razão para essa alteração é o facto de os caçadores preferirem os carneiros com cornos grandes, pois fornecem troféus mais impressionantes. Mas pode também ser um efeito colateral acidental das restrições de caça. 

A caça exclusiva de machos com cornos grandes tem como objectivo limitar a morte de animais jovens, que ainda não se reproduziram, mas também encoraja o abate de animais que desenvolvem cornos grandes muito cedo na sua vida. Desta forma, obriga-se os caçadores a abater os animais que estás a tentar proteger, diz Kevin Hurley, um biólogo do Departamento de Caça e Pesca do Wyoming. 

Uma estratégia melhor talvez seja limitar o número de licenças de caça, defendem Hurley e Coltman. Em alguns estados americanos é comum o leilão de um número limitado de licenças de caça de carneiros bighorn, que chegam a atingir $100000 para o direito a abater um único animal.

De modo geral, os caçadores são compreensivos com as necessidades de conservação e gestão do efectivo de carneiros, refere Kelly Semple, directora executiva de uma coligação de caçadores baseada em Edmonton, Alberta, pois não querem que os animais com cornos grandes se extingam. No entanto, alerta para o perigo de generalizar os resultados do estudo de Coltman a todas as espécies e regiões. 

 

 

Saber mais: 

Bighorn Mountain Sheep - British Columbia Wildlife

Desert Bighorn Sheep

 

 

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@ Born to be Wild, 2004


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