2007-10-03

Subject: Tigres dente-de-sabre tinham dentada surpreendentemente fraca

 

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Tigres dente-de-sabre tinham dentada surpreendentemente fraca

 

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Cores quentes mostram os pontos de stress mecânicoO tigre dente-de-sabre pode ter tido um aspecto impressionante com os seus caninos gigantes mas a sua reputação sofre um importante revés com um estudo novo agora dado a conhecer.

Cientistas que estudaram o crânio deste felino extinto em detalhe concluíram que tinha uma dentada relativamente fraca, comparada com a de um leão moderno. Ainda que as suas impressionantes presas lhe tenham fornecido vantagens na hora da matança, também lhe restringiam a estratégia de caça.

Segundo os investigadores, em muitos aspectos o tigre dente-de-sabre era um beco sem saída, pois ainda que fosse um eficiente predador de presas grandes, era demasiado elaborado para abater presas pequenas, o que o tornaria extremamente vulnerável em tempos mais difíceis.

"É uma das regras de ouro da paleontologia", observa Colin McHenry, da Universidade de Newcastle, Callaghan, Austrália. "A especialização representa um sucesso a curto prazo mas também um risco a longo prazo, porque assim que o ecossistema fique desequilibrado seremos o primeiro candidato à extinção. Os sobreviventes são os generalistas."

A equipa utilizou uma técnica conhecida por análise de elementos finita para estudar o crânio do tigre dente-de-sabre Smilodon fatalis, que viveu em toda a América do Norte há milhares de anos.

A abordagem é comum em design avançado e manufactura, permitindo aos engenheiros testar o desempenho de materiais sujeitos a carga, como o metal do corpo e asas de um avião.

As análises de raios X foram feitas a partir dos vestígios de forma a construir um modelo digital de alta definição num computador. Esta simulação foi depois submetida a forças para ver de que forma o crânio, mandíbula, dentes e músculos teriam lidado com o stress mecânico provocado pela predação.

Como termo de comparação, foi também construído um modelo do crânio de leão moderno Panthera leo.

A intenção da investigação foi "acabar de vez com o debate que corre há mais de 150 anos sobre aspectos chave do modus operandi do tigre dente-de-sabre", diz Steve Wroe, da Universidade de New South Wales (UNSW), Sydney, e co-autor do estudo.

A estratégia de predação do felino é tema de debate há muito, com alguns a considerarem que saltava para cima das presas com os dentes apontados, outros que utilizava os dentes como picadores de gelo para subir para cima de outros animais e outros ainda a argumentarem que causaria graves ferimentos ao utilizar os caninos como navalhas.

O que parece claro a partir deste estudo é que o tigre dente-de-sabre não abateria as presas como o fazem os leões actuais, que tentam asfixiar as vítimas com uma dentada forte no pescoço.

O modelo de computador mostra que o crânio do tigre dente-de-sabre teria dificuldade em lidar com esse tipo de stress, causado pelo espernear e escoicinhar das presas durante os 10 minutos que a sufocação pode demorar.

 

O tigre dente-de-sabre não tinha a força de dentada necessária para conseguir esse efeito, dizem os cientistas. Com cerca de 1000 Newtons de força, mordia com cerca de um terço da força que um leão moderno de tamanho equivalente morde e o Smilodon provavelmente não conseguiria manter a dentada durante o tempo necessário.

O tigre dente-de-sabre era como um urso, muito forte com patas dianteiras poderosas. Não estava construído para correr mas para lutar com outros animais no chão, explica McHenry.

"Penso que usava as enormes patas e garras do polegar para derrubar animais de grande porte e quando os tinha sob controlo é que usava os dentes. Dava uma dentada instantaneamente fatal no pescoço, cortando a traqueia e a carótida e a morte era muito rápida."

O modelo de computador sugere que este "golpe de misericórdia" era feito basicamente com os músculos do pescoço, com o efeito alavanca a provocar um ferimento profundo.

A equipa concluiu que o design corporal do tigre dente-de-sabre o teria deixado indefeso perante um ecossistema em alteração. Se as suas presas preferidas diminuíssem, teria tido dificuldade em se adaptar a novas circunstâncias.

"A morfologia especializada do Smilodon ter-lhe-ia permitido matar caça grossa mais eficientemente mas era sobredotado para presas menores", diz Wroe. "O leão, mais generalista e oportunista, pode subsistir com uma gama mais variada de presas quando é necessário mas o Smilodon estava condenado quando a sua caça grossa desceu abaixo de níveis críticos."

Os tigres dente-de-sabre viveram entre os 33 milhões e os 9 mil anos atrás, e tal como outros exemplo de megafauna da Idade do Gelo, desapareceram da América do Norte por altura em que o Homem chegou ao continente com uma eficiente técnica de caça com setas.

A história do seu desaparecimento, no entanto, é provavelmente mais complexa e a maioria dos cientistas aceita que as alterações climáticas desempenharam papel importante na sua extinção.

Uma ideia recentemente proposta até sugere que um asteróide ou cometa tivesse explodido sobre a América do Norte há 13 mil anos, contribuindo para tornar as condições intoleráveis para alguns animais. 

 

 

Saber mais:

Computational Biomechanics Research Group

Explosão durante a idade do gelo devastou América

 

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