2007-09-26

Subject: Pequeno RNA, grande problema

 

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Pequeno RNA, grande problema

 

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O menor segmento de material genético pode causar os tumores mais letais: os investigadores implicaram um minúsculo RNA na proliferação invasiva do cancro da mama, o factor responsável pelo maior número de mortes nesta doença.

Em 2007, cerca de 179 mil pessoas nos Estados Unidos serão diagnosticadas com cancro da mama invasivo e cerca de 47 mil provavelmente morrerão.

O RNA é um dos principais actores na genética humana. A molécula melhor estudada, o RNA mensageiro (RNAm), é vital para a tradução do código do nosso DNA, permitindo que essas instruções sejam lidas e se construam proteínas.

Os micro-RNA, minúsculos filamentos de código genético muitas vezes com apenas algumas dúzias de nucleótidos, podem bloquear o processo de tradução ao ligar-se ao RNAm, impedindo a produção de proteínas. Uma investigação anterior já tinha descoberto que estas moléculas minúsculas estão envolvidas em processos fundamentais do desenvolvimento, metabolismo e suicídio celular.

Agora, uma equipa liderada por Robert Weinberg, do Massachusetts Institute of Technology's Whitehead Institute de Cambridge associou uma destas moléculas aos cancros da mama invasivos.

"Penso que estes micro-RNA vão estar envolvidos de forma geral numa vasta gama de processos celulares e esta é apenas a ponta do icebergue", diz Weinberg.

Se a molécula puder ser confirmada como factor importante na migração do cancro, e puder ser alvo de medicamentos, a descoberta pode conduzir a novas medidas preventivas contra a mortal propagação dos tumores. De momento, esses cancros são normalmente tratados através de radiação e quimioterapia.

A capacidade de um tumor de apanhar boleia de um vaso sanguíneo e instalar-se noutro local do corpo, um processo conhecido por metastização, é a característica mais insidiosa de um cancro. Frequentemente surge nas fases finais da doença e precede 90% das mortes por cancro. Nos cancros da mama, as células migram para os nódulos linfáticos, cérebro e outros locais onde formam tumores secundários mortíferos.

Após conversar com colegas que trabalhavam na investigação de micro-RNA, uma investigadora de pós-doctoramento do laboratório de Weinberg, Li Ma, começou a pensar se estas moléculas poderiam estar envolvidas na metastização.

Ela e Weinberg fizeram uma análise do genoma dos cancros da mama, em busca de micro-RNA presente nos casos em que tinha havido metastização. Encontraram um tipo de micro-RNA, conhecido por miR-10b, que era fortemente expresso em 9 de 18 pacientes com cancro da mama metastizado e não era expresso em 5 mulheres com tumores menos malignos.

 

Quando a equipa analisou uma linhagem bem estudada de células humanas de cancro da mama, extraídas de outro tumor metastizado, descobriu que as células cancerosas expressavam miR-10b a níveis 50 vezes superiores aos de uma linhagem celular não invasiva.

Para verificar se este micro-RNA estava a conduzir a metastização, a equipa implantou células humanas que expressavam níveis elevados de miR-10b no tecido adiposo de ratos, a forma habitual de testar cancro humano. Os tumores propagaram-se para os vasos sanguíneos e pulmões dos animais mas quando injectaram células cancerosas semelhantes mas sem miR-10b, os tumores permaneceram no local.

Os investigadores não sabem exactamente de que forma o miR-10b promove a metastização mas uma das proteínas que ele impede a produção, chamada HOXD10, tem papel importante no desenvolvimento embrionário. Pode ser que os tumores metastizados pirateiem o processo concebido para transformar uma bola de células numa pessoa e assim se desloquem pelo corpo. 

Resta saber se bloquear o miR-10b pode impedir a metastização mortífera nos pacientes com cancro de mama mas as moléculas que inibem o micro-RNA já foi provado que funcionam em células humanas in vitro, diz Ramin Shiekhattar, biólogo do cancro no Centre for Genomic Regulation de Barcelona. Essas moléculas ligam-se ao micro-RNA e impedem-no de actuar sobre os seus habituais alvos de RNAm.

Thomas Tuschl, biólogo molecular na Universidade Rockefeller de NOva Iorque, não está convencido que o miR-10b seja tão importante porque apenas se encontrou em 9 tumores metastizados até agora, uma amostra muito pequena. 

Confirmação ou refutação da ideia não deve demorar a ocorrer. Outros laboratórios vão com certeza procurar miR-10b em tecido canceroso da mama armazenado nos seus congeladores e logo se verá se existe ou não correlação, diz Tuschl.

 

 

Saber mais:

Weinberg Lab

 

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