2007-09-24

Subject: Ave do Alasca realiza o voo sem paragens mais longo alguma vez registado

 

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Ave do Alasca realiza o voo sem paragens mais longo alguma vez registado

 

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Um fuselo Limosa lapponica fêmea voo mais de 11500 quilómetros, sem paragens para beber ou comer, desde o Alasca à Nova Zelândia.

Esta é a maior migração sem paragens de uma ave alguma vez registada, de acordo com os biólogos que lhe seguiram o voo usando marcadores-satélite.

A ave, uma limícola conhecida por fuselo em Portugal, completou a impressionante viagem em nove dias. Para além da espantosa resistência, o estudo confirma que os fuselos migram anualmente directamente sobre o Pacífico em vez de seguir a costa leste asiática.

"Isto mostra até que ponto estas aves podem ser incrivelmente radicais", diz Phil Battley, da Universidade Massey na Nova Zelândia, participante no estudo. "A perspectiva de uma ave voar através de todo o Pacífico está muito para além do que achávamos possível, era quase ridículo."

O longo voo foi documentado durante um estudo da migração dos fuselos conduzido pelo U.S. Geological Survey e pela PRBO Conservation Science, uma organização não lucrativa californiana dedicada à pesquisa sobre aves.

Cerca de 70 mil fuselos fazem esta épica jornada desde os seus locais de nidificação de Verão no Alasca até à Nova Zelândia todos os meses de Setembro, antes de voarem tudo de volta no mês de Março seguinte.

Para o estudo desta migração anual, Battley e a sua equipa colocaram emissores de satélite em 16 fuselos de dois locais distintos no Verão passado, na Nova Zelândia.

Battley ficou de boca aberta ao descobrir que uma das aves, baptizada E7, voou cerca de 10200 quilómetros directamente para uma zona húmida na fronteira da Coreia do Norte com a China.

Depois de se alimentar e descansar, essa fêmea continuou por mais 5 mil quilómetros até ao Alasca.

A chegada do bando aos Estados Unidos marcaria, supostamente, o final do estudo mas alguns dos emissores continuaram a enviar dados, dando aos cientistas o bónus inesperado de seguir o retorno das aves.

Os cientistas descobriram que, no voo da E7 de regresso a sul, com a ajuda do vento pela cauda, ela realizou o épico voo de 11500 quilómetros de forma ininterrupta.

"Este animal é absolutamente extraordinário", diz Rob Schuckard, líder de uma das equipas da Ornithological Society da Nova Zelândia, que ajudou na pesquisa da migração das aves. "É o equivalente a uma pessoa correr à velocidade de 70 Km/h durante mais de sete dias seguidos e sem pausas."

 

De acordo com os dados de satélite, a fêmea E7 voou a uma velocidade média de 56 Km/h, em busca de ventos favoráveis a uma altitude entre os 3 e os 4 Km.

Ao longo do percurso, a ave "dormiu" desligando metade do cérebro de cada vez e queimou quantidades imensas de reservas de gordura que tinha acumulado no Alasca, mais de 50% do seu peso corporal. 

A E7 encontrou o caminho analisando a luz polarizada para localizar o Sol durante o dia (mesmo em dias nublados) e seguindo as estrelas de noite, explica Battley. "As aves aprendem a rotação do céu quando são jovens e conseguem discernir o norte mas também devem saber identificar o sul porque não lhes valeria de muito saber encontrar a Estrela Polar na Nova Zelândia."

Apesar da espantosa resistência das aves, Schuckard teme o futuro dos fuselos. O número de aves que alcançam a Nova Zelândia todos os anos tem decaído drasticamente, de 155 mil em meados dos anos 90 para apenas 70 mil actualmente. "Algo está seriamente a correr mal."

Ele suspeita que o desenvolvimento desenfreado ao longo da costa do Mar Amarelo está a privar as aves de recursos alimentares vitais, com a drenagem das zonas húmidas.

Num desses locais, a zona húmida de Saemangeum na Coreia do Sul, reconhecida como local de passagem crucial para muitas limícolas, uma barragem de 33 Km foi construída o ano passado, drenando 400 Km2 de zonas inundáveis. "É equivalente a todo o habitat estuarino da Nova Zelândia", diz Schuckard.

Battley concorda que os fuselos e outras limícolas migratórias enfrentam ameaças sérias, com o desaparecimento dos seus terrenos de descanso e alimentação. "A perda de habitat nas zonas de descanso é uma grande preocupação, o Mar Amarelo especialmente, porque virtualmente todos os fuselos da Nova Zelândia passam por lá. Na Coreia do Sul tudo está cheio de barragens, estão a reclamar todos os estuários de uma vez."

 

 

Saber mais:

PRBO Conservation Science

U.S. Geological Survey

Milhares de aves morrem de fome na Coreia do Sul

 

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