2007-09-18

Subject: Peixes no espaço para ajudar no estudo de perturbações no equilíbrio

 

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Peixes no espaço para ajudar no estudo de perturbações no equilíbrio

 

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Vinte e seis peixes-bebé estão agora a orbitar a Terra a bordo de uma nave espacial russa, como parte de uma à muito adiada experiência que se espera conduza a uma melhor compreensão dos mecanismos de equilíbrio do ouvido interno no Homem.

Os pequenos ciclídeos Oreochromis mossambicus descolaram na sexta-feira do Cosmódromo de Baikonur no Cazaquistão, numa nave Foton-M3 colocada no topo de um foguetão Soyuz, como parte de um pacote de experiências biológicas e físicas organizadas pela Agência Espacial Europeia.

Reinhard Hilbig e Ralf Anken, respectivamente neurobiólogo e biólogo do desenvolvimento da Universidade de Hohenheim na Alemanha, irão seguir as larvas de peixe para observar o crescimento dos seus otólitos, órgãos sensoriais que desempenham um papel importante tanto na audição como no equilíbrio, em condições de microgravidade no espaço de 12 dias de missão.

Os otólitos, que também existem no ouvido interno humano, são sensíveis à gravidade e à aceleração linear, sendo essenciais para a manutenção do equilíbrio. São compostos por uma mistura de material gelatinoso e carbonato de cálcio, e deslocam-se num fluido viscoso quando a cabeça se desloca, estimulando cílios celulares que transferem essa informação sobre o movimento para o cérebro.

Os cientistas pensam que um otólito a funcionar mal é o responsável por doenças como a a de Ménière, que causa vertigens e zumbidos nos ouvidos nos pacientes, mas não sabem ainda exactamente de que forma esta estrutura funciona. 

Os otólitos dos peixes são bons candidatos para este estudo, diz Hilbig, porque funcionam exactamente da mesma forma que os humanos mas são muito maiores. Isto acontece porque os peixes têm que se orientar debaixo de água, onde outros indicadores de movimento não existem.

Testes anteriores mostraram que as larvas de peixe expostas a condições de hipergravidade numa centrífuga desenvolvem otólitos menores que as larvas controlo. isto implica que o desenvolvimento dos otólitos, pelo menos em parte, está sob controlo neural, diz Anken. De alguma forma o cérebro dos peixes indica aos otólitos para crescerem menos pois não precisa de tão grande e sensível em hipergravidade como teria que ser em condições normais.

O próximo passo para confirmar o controlo neural é testar a microgravidade e observar se os otólitos crescem mais (e mais sensíveis) que o normal. Anken diz que estão á espera que os otólitos "cresçam descontroladamente e assimetricamente" na baixa gravidade, se existir um controlo neural.

 

Isto tornaria o otólito uma peça invulgar na anatomia. "Estou convencido que a mineralização dos otólitos é o único processo natural conhecido de biomineralização que necessita de regulação neural", diz Anken.

Também pode indicar o caminho para tratamentos: controlar o processo neural que determina o tamanho dos otólitos no Homem pode ser usado para ajudar os que sofrem de perturbações do equilíbrio. Esses tratamentos ainda estão longe, diz Anken, "ainda estamos na investigação base. Primeiro temos que saber como os otólitos funcionam e só depois podemos pensar num tratamento".

A curiosidade científica acerca do efeito da gravidade nos otólitos não é nova. Em 1970, a NASA enviou duas rãs para o espaço para analisar o efeito da ausência de gravidade nos seus otólitos, com o objectivo de estudar o enjoo devido ao movimento. Esta nova experiência difere da anterior pois estuda o envolvimento do cérebro no desenvolvimento dos otólitos.

Anken estuda esta situação há anos. "Em 1998, a NASA anunciou uma missão do vaivém e nós começámos a preparar tudo mas a experiência acabou por fazer parte da viagem de princípio de 2003 do Columbia, que terminou quando a nave se desintegrou na reentrada sobre o Texas. Tal como os sete membros da tripulação, também a experiência com os peixes se perdeu.

Agora surgiu a segunda oportunidade. Os peixes estão alojados num tanque especial, contendo 3 litros de água e pesando apenas 18 Kg. Os cientistas podem observar o comportamento dos peixes através de câmaras, que enviam sinal de volta para a Terra. Os peixes serão recuperados quando a nave regressar à Terra e estudados em mais detalhe. 

 

 

Saber mais:

Neurolab

Foton microgravity mission

 

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