2007-09-12

Subject: Gorilas lideram a corrida para a extinção

 

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Gorilas lideram a corrida para a extinção

 

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Os gorilas, orangutangos e corais estão entre as plantas e os animais que mais rapidamente estão a deslizar para a extinção. A Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas para 2007 indica a perda de habitat, caça e alterações climáticas como as principais causas desta situação.

A World Conservation Union (IUCN) identificou mais de 16 mil espécies ameaçadas de extinção mas apenas para uma delas as perspectivas melhoraram. A IUCN diz que há uma falta de vontade política para conter a erosão a nível global da natureza.

Os governos comprometeram-se a acabar com a perda de espécies até 2010 mas nada parece estar a acontecer.

"A Lista Vermelha deste ano mostra mostra que os esforços imensos feitos até agora para proteger as espécies não são suficientes", diz a directora geral da organização Julia Marton-Lefevre. "A taxa de perda de biodiversidade está a aumentar e precisamos de agir de imediato para a reduzir significativamente e conter esta crise global de extinções."

Um em cada três anfíbios, um em cada quatro mamíferos, uma em cada oito aves e 70% das plantas avaliadas até agora estão em risco de extinção, sendo a principal causa dessa situação a alteração humana dos seus habitats.

O tom da Lista Vermelha deste ano tristemente familiar. Das 41415 espécies avaliadas, 16306 estão ameaçadas de extinção em maior ou menor grau.

Definições da Lista Vermelha

Extinto - estudos sugerem que o último organismo conhecido morreu

Criticamente ameaçado - risco extremamente elevado de extinção, pelo que muitas espécies nesta categoria também são apelidadas de possivelmente extintas

Ameaçado - espécies com um risco muito elevado de extinção

Vulnerável - espécies com alto risco de extinção

Quase ameaçado - espécies que podem ser colocadas a qualquer momento nas categorias superiores

Baixa preocupação - espécies com larga distribuição e abundantes

Dados insuficientes - não existem dados para uma avaliação correcta

As principais alterações relativamente às avaliações anteriores incluem alguns dos animais mais emblemáticos do mundo natural, como o gorila das terras baixas ocidental, que passa da categoria de ameaçado para a categoria de criticamente ameaçado.

O efectivo desta espécie declinou mais de 60% nos últimos 20 a 25 anos. O abate das florestas permitiu aos caçadores ter acesso a áreas antes intocadas e o vírus ébola dizimou um terço do total da população de gorilas em zonas protegidas, chegando mesmo a atingir 95% m certos locais.

O ébola deslocou-se através do habitat do gorila das terras baixas ocidental na África central de sudoeste para nordeste e se continuar a sua marcha atingirá todas as restantes populações no espaço de uma década.

O orangutango de Sumatra já estava classificado como criticamente ameaçado antes desta avaliação, com o seu efectivo a ser reduzido em mais de 80% nos últimos 75 anos mas a IUCN identificou novas ameaças para os restantes 7300 indivíduos. As florestas estão a ser abatidas para o cultivo de palma e o seu habitat está a ser retalhado pela construção de novas estradas.

No Bornéu, lar da segunda espécie de orangutangos, as plantações de palma expandiram-se 10 vezes no espaço de uma década, ocupando agora 27 mil quilómetros quadrados da ilha. O abate ilegal da floresta para madeira reduz ainda mais o habitat, bem como a caça para alimentação e o tráfico ilegal de animais de estimação.

Algumas partes da floresta do Bornéu estão tão fragmentadas que populações isoladas de orangutangos têm agora menos de 50 indivíduos, pelo que a IUCN as considera "aparentemente não viáveis a longo prazo".

Os grandes primatas são talvez as criaturas mais carismáticas presentes na Lista Vermelha deste ano mas o facto de estarem em apuros é conhecido há muitos anos, talvez sejam mais surpreendentes algumas das novas adições.

"Esta é a primeira vez que avaliámos os corais e é extremamente preocupante que alguns deles tenham passado directamente de 'dados insuficientes' para possivelmente extintos", diz Jean-Christophe Vie, director adjunto do programa das espécies da IUCN.

"Sabemos que algumas espécies estavam presentes há alguns anos e agora que fizemos a avaliação não estão. Os corais são como as árvores de uma floresta, constróem o ecossistema para os peixes e os outros animais." A IUCN está agora a iniciar uma avaliação completa das espécies de coral e espera descobrir que cerca de 30% a 40% estão ameaçadas.

 

O exemplo mais gritante de como os esforços conservacionistas falharam para com um organismo aquático é provavelmente o baiji, o golfinho do rio Yangtze, classificado como criticamente ameaçado, possivelmente extinto. Esta espécie de água doce parece ter perdido a luta pela sobrevivência contra as marés destrutivas da pesca, marinha mercante, poluição e alterações do habitat no seu único rio. Os chineses relataram um avistamento há pouco tempo mas a IUCN não está convencida. Sem evidências confirmadas de um baiji vivo desde 2002, acreditam que o seu tempo na Terra pode muito bem ter acabado.

Se assim for, vai tornar-se uma vítima acidental das várias forças do desenvolvimento humano, ao contrário do espectacular peixe-cardial de Banggai, que uma única década de caça para o comércio de peixes de aquário reduziu a população uns espantosos 90%.

Muitos abutres africanos são recém-chegados à Lista mas o grupo das aves fornece o único caso de sucesso, com o colorido periquito das Maurícias a passar de 'criticamente ameaçado' a 'ameaçado'. Um intenso esforço de conservação fez subir o número destas aves de 50 para mais de 300.

Já o garial, um crocodiliano dos principais rios indianos e do Nepal, dá o exemplo do que pode acontecer quando o dinheiro e o esforço de conservação cessa. Há uma década, o programa de reintrodução aumentou a população de cerca de 180 para perto de 430 animais. Considerado um sucesso, o programa foi interrompido e os números estão novamente a rondar os 180, colocando o garial novamente na lista dos 'criticamente ameaçados'.

A IUCN considera que não é demasiado tarde para muitas destas espécies, podem ser afastadas do perigo de extinção, algo que os governos se comprometeram a fazer quando em 1992, na Convenção sobre a Diversidade Biológica, disseram que "até 2010 se iria atingir uma redução significativa da actual taxa de perda de biodiversidade a nível global, regional e nacional".

"Os governos sabem que não vamos atingir esse objectivo", diz Jean-Christophe Vie, "e não é apenas em alguns casos, o falhanço é total. É possível inverter a tendência mas as causas são gigantescas e globais e continua a haver uma falta de atenção para a crise que a biodiversidade enfrenta."

Muitos grupos conservacionistas argumentam que já foi gasto demasiado dinheiro e atenção na questão das alterações climáticas, enquanto outros temas como a biodiversidade, a água e a desertificação têm sido ignoradas a nível político.

A avaliação da IUCN é que as alterações climáticas são importantes para muitas das espécies da Lista Vermelha mas não é a única ameaça e não a mais importante.

Há conflitos na forma como se abordam as várias questões, com os biocombustíveis sendo talvez o exemplo mais óbvio. Úteis que possam ser a reduzir as emissões de gases de efeito de estufa, estão, ainda assim, a preocupar seriamente muitos conservacionistas pelo impacto negativo que as vastas áreas de monocultura que exigirão terá em organismos como o orangutango. 

 

 

Saber mais:

Lista Vermelha

Convention on Biological Diversity

"Lista Vermelha" alerta para situação de espécies de água doce

Anfíbios enfrentam futuro sombrio

Grandes símios extintos no espaço de uma geração

 

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