2007-09-11

Subject: Adeus a papagaio famoso

 

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Adeus a papagaio famoso

 

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"Porta-te bem", disse Alex na última quinta-feira à noite. "Adoro-te. Até amanhã."

Mas na manhã seguinte, Alex, com 31 anos de idade, estava morto devido a causas desconhecidas. Foi "o pior dia da minha vida", diz Irene Pepperberg, da Universidade Brandeis em Waltham, Massachusetts, a investigadora que era a dona e treinadora de Alex.

Alex era um papagaio cinzento africano que Pepperberg comprou numa loja de animais há 30 anos. Por altura da sua morte na última sexta-feira, ele já tinha um vocabulário confirmado de mais de 100 palavras inglesas que aparentemente compreendia e usava correctamente, em vez de apenas as 'papaguear'.

Pepperberg publicou dúzias de ensaios científicos acerca das capacidades verbais, matemáticas e cognitivas de Alex e os dois apareceram numa variedade de programas de televisão e notícias de jornal. Durante todos estes anos, transformaram a ideia como as pessoas vêm as capacidades mentais dos animais não-humanos.

Uma necrópsia realizada no último fim-de-semana não encontrou nenhuma causa aparente de morte. Alex parecia de perfeita saúde no dia anterior e tinha feito um checkup menos de duas semanas antes, que não detectou nada.

Para além de aparentemente compreender o significado das palavras que pronunciava, Alex, cujo nome era o acrónimo de Avian Learning EXperiment, também era capaz de contar até seis (identificando o número de objectos num tabuleiro e associando correctamente a palavra pronunciada ao algarismo escrito). Também sabia identificar cores, formas e materiais de diversos objectos.

Ocasionalmente era mesmo capaz de cunhar novas palavras para descrever objectos não familiares. Da primeira vez que viu uma maça chamou-lhe "cerejana", talvez porque o exterior tinha a cor da familiar cereja e o interior a da banana.

A investigação de Pepperberg permanece controversa, com alguns cépticos a argumentar que a perícia aparente de Alex na linguagem não revelava mais que uma versão muito sofisticada de reflexos condicionados. Pepperberg considera essa situação muito difícil de conciliar com o rigor de 80%  com que Alex contava objectos. 

Nos seus artigos revistos, ela refere que ele parecia ter uma inteligência equivalente a uma criança de 5 anos mas um comportamento emocional de uma de 2 anos.

 

Por exemplo, quando frustrado ou aborrecido, Alex dava respostas erradas a todas as questões que lhe colocavam, um resultado que Pepperberg considerava que não podia ser obra do acaso mas exigia que se soubessem todas as respostas certas de modo a não as usar, como uma criança petulante faria.

A investigação vai continuar, diz Pepperberg, mas "perder o Alex é um grave revés" que vai atrasar os planos de trabalho que tinha, incluindo um novo fundo para a investigação na percepção dos papagaios das ilusões de óptica.

"Temos mais duas aves", diz ela, que já estão a ser treinadas há anos mas as suas capacidades de linguagem estão muito atrás das de Alex. O segundo mais velho, um papagaio de 12 anos de nome Griffin, apenas domina 20 palavras e ainda está a trabalhar na total compreensão de outras 12. Por exemplo, quando lhe perguntam a cor de um objecto, ele responde sempre com o nome de uma cor mas não necessariamente a correcta, logo essas palavras ainda não fazem parte do vocabulário totalmente compreendido.

Quando lhe pedem para resumir o impacto dos seus 30 anos de investigação sobre papagaios, Pepperberg diz que "as pessoas pensam muito mais seriamente acerca das capacidades intelectuais destes amigos com penas". O seu trabalho influenciou outros grupos que têm vindo a investigar a inteligência de outras aves, incluindo os corvos.

Pepperberg diz que ainda nada foi decidido acerca da realização de um funeral ou qualquer outro tipo de cerimónia. 

 

 

Saber mais:

Alex Foundation

Corvos no topo da escala de QI das aves

Papagaios falam línguas

 

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