2007-09-09

Subject: O gene que nos põe água na boca

 

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O gene que nos põe água na boca

 

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O cuspo pode ter ajudado na evolução humana ao permitir aos nossos ancestrais recolher mais energia do amido que os nossos primos primatas.

Comparados com os chimpanzés, os humanos têm muito mais cópias do gene que produz amilase, a enzima da saliva que degrada o amido em açúcares digeríveis. Para além disso, as sociedades amantes dos carbohidratos têm mais cópias do gene que as que seguem dietas com baixo teor de carbohidratos, refere um novo estudo agora publicado na revista Nature Genetics.

Esta situação mostra como as pessoas se adaptam ao seu ambiente local. "Os alimentos ricos em amido e as dietas com alto teor de amido foram uma força evolutiva importante para os humanos", diz George Perry, antropólogo da Universidade Estadual do Arizona em Tempe, que liderou o estudo.

A alteração pode ter apoiado o crescimento do cérebro dos hominídeos que começou há cerca de 2 milhões de anos, diz Nate Dominy, antropólogo da Universidade da Califórnia em Santa Cruz e que participou no estudo. "A nossa dieta teve que ser alterada para poder alimentar esse cérebro", diz Dominy, que pensa que os tubérculos vegetais como os que se encontravam em África permitiram aos grandes cérebros humanos florescer.

O amido é uma importante fonte de alimento para os humanos modernos mas sem a amilase na saliva o Homem pouco poderia fazer com esses carbohidratos complexos, pois as outras enzimas do corpo são pouco eficientes na sua degradação.

Estudos anteriores sugeriam que algumas pessoas têm mais cópias do gene da amilase que outras mas pouco se sabia acerca da importância do número extra de cópias. Poderia ser insignificante pois a duplicação de muitos genes tem pouco ou nenhum efeito na expressão génica, diz Dominy.

Para investigar, a equipa testou pessoas com diferente número de genes para a amilase. "Pedimos a um grupo de estudantes que cuspissem para tubos de ensaio e medimos a quantidade de amilase presente", diz Dominy. Esfregaços bocais foram usados para se medir a quantidade de cópias de genes de amilase. Conclusão: as cópias extra do gene produzem mais amilase, logo aumentam a capacidade de degradar a amido.

Quando os investigadores se aventuraram para fora da universidade para recolher amostras em África, Ásia, Europa e Árctico, notaram uma tendência. Culturas com dietas que incluem níveis elevados de amido tendem a ter um maior número de cópias do gene da amilase que as que consomem menos amido.

 

As culturas que apreciam amido, como os Hadza da Tanzânia que dependem fortemente de tubérculos, têm 6,7 cópias do gene da amilase, em média. Os Mbuti, caçadores recolectores pigmeus das florestas tropicais da África central, que comem pouco amido, têm em média 5,4 cópias.

Em contraste, os chimpanzés que comem fruta e pouco mais, têm apenas 2 cópias da amilase salivar.

A comparação dos genomas humano e do chimpanzé indica que a multiplicação deste gene em humanos chegou há centenas de milhares de anos, ou mais. Dominy especula que talvez a alteração tenha impulsionado os nossos ancestrais para novas alturas ao alimentar a evolução de grandes cérebros há 2 milhões de anos. Em alternativa, as novas cópias podem ter coincidido com o surgimento da agricultura há 150 mil anos, diz ele.

Sequências mais completas do genoma humano de diversas culturas para confirmar quando e porquê esta alteração ocorreu, diz Dominy.

A capacidade de digerir o amido pode ter acrescentado o benefício de reduzir o risco de diarreia, ainda hoje uma importante causa de morte nas crianças. "Pode valer a pena começar a digerir os alimentos um pouco mais cedo no processo de modo a tirarmos o máximo antes que saia do corpo", diz Dominy.

Estes tipo de estudo, associando a evolução humana a alterações genéticas, vão tornar-se mais comuns, diz James Sikela, biólogo da Universidade do Colorado em Aurora. "É um grande exemplo do que pode ser aprendido acerca do nosso passado através da genética evolutiva." 

 

 

Saber mais:

Dominy Lab

 

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