2007-08-29

Subject: Qual é realmente o custo ecológico dos fogos?

 

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Qual é realmente o custo ecológico dos fogos?

 

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Death toll from Greek forest fires rises

Olhando para as dramáticas imagens dos fogos gregos ou dos portugueses seria fácil concluir que os fogos florestais trarão alterações dramáticas para as paisagens e para a vida selvagem. E qual será o impacto de todo o dióxido de carbono que está a ser libertado nas alterações climáticas?

Apesar do longo historial de figos descontrolados em volta do Mediterrâneo, há ainda muito que os cientistas têm que descobrir acerca dos seus efeitos ecológicos.

"Em termos de processos como a degradação das áreas ardidas não temos uma ideia clara", diz Paulo Barbosa, do Instituto do ambiente e da Sustentabilidade da União Europeia. "Sabemos que quando temos grandes fogos seguidos de fortes chuvadas pode ocorrer grave erosão e perda de solo. Mas se falarmos de vegetação arbustiva, pode demorar entre 3 a 4 anos para se regressar às condições pré-fogo. Com florestas, pode-se falar de 10, 20, 30, mesmo 40 anos antes da paisagem retornar às suas condições originais."

As florestas do Mediterrâneo evoluíram para resistir ao fogo, até mesmo para florescer com ele. "Em termos gerais, este tipo de floresta já sofreu outros fogos anteriormente, logo as suas espécies são tolerantes ao fogo", salienta Keith Kirby, responsável pela silvicultura da organização Natural England.

Mas o impacto ecológico do fogo depende da temperatura do fogo. Um fogo ligeiro pode deixar o sistema radicular intacto, enquanto um braseiro as vai matar. 

Neste contexto, as alterações recentes na floresta mediterrânea pode torná-las mais vulneráveis aos fogos, sugere Kirby. "Em muitos países do Mediterrâneo, como Portugal, o impacto tem sido exacerbado devido á existência de vastas plantações de uma única espécie, como pinheiros e eucaliptos. Tem-se assim o risco de as espécies ficarem isoladas nas zonas não ardidas e serem capazes de recolonizar os habitats."

A World Conservation Union (IUCN) está a organizar uma força de intervenção para investigar e restaurar as zonas recém-ardidas da Grécia, e de outros países como o Chipre e a Sérvia, quando as chamas se apagarem.

"Tencionamos focar-nos nas áreas protegidas e nos parques nacionais, algo em que somos especialistas e em que podemos dar assistência aos estados afectados", explica Tamas Marghescu, director regional do IUCN para a Europa. "Não é só a restauração do ecossistema que é importante mas também o restabelecer de importantes serviços prestados à população por esse ecossistema. Não se trata de plantar árvores pelas árvores."

E que árvores plantar é uma importante pergunta. As alterações climáticas prometem tornar grande parte do Mediterrâneo mais quente e mais seco e reduzir a disponibilidade de água, já escassa em algumas zonas, principalmente em algumas partes da Península Ibérica.

Fará sentido, então, substituir árvores queimadas por outras semelhantes?

Marghescu pensa que não. Ele acredita que os fogos são uma oportunidade tão grande como são uma ameaça: uma oportunidade de colocar as exigências da floresta mais de acordo com o que o clima futuro irá fornecer. Árvores vulneráveis fogo e à seca podem ser substituídas por espécies mais resistentes às chamas e com menores necessidades de água. 

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Para aqueles que podem protestar contra uma alteração deliberada do ecossistema, ele responde: "Um ecossistema não é algo rígido, está sempre a deslocar-se numa dada direcção e estão permanentemente a ocorrer alterações na biodiversidade. Só pretendemos ajudar essa adaptação, para que não tenhamos um colapso de todo o ecossistema devido às alterações climáticas."

Os fogos gregos deste Verão foram criados por uma combinação de incendiários e de condições meteorológicas que tornaram a ignição espontânea e a propagação mais provável. Tal como em Portugal em 2003, e em muitos outros Verões, as temperaturas altas, a baixa humidade e os ventos fortes criaram e desenvolveram muitos fogos descontrolados.

Mas mesmo com as temperaturas europeias a subir década após década, estão os fogos a aumentar? Talvez não, diz Paulo Barbosa, que dirige o Sistema Europeu de Informação sobre Fogos Florestais (EFFIS). "Há grande variabilidade: no ano passado só arderam 380 mil hectares, enquanto em 2003 arderam quase um milhão. Com estes eventos extremos, é difícil identificar uma tendência."

O desaparecimento das florestas europeias não deve ser um factor importante para o efeito de estufa no futuro, pois, de facto, o coberto florestal europeu está a aumentar cerca de meio por cento ao ano. Só a Espanha tem acrescentado perto de 300 mil hectares anualmente.

Globalmente, a perda de florestas e alterações na utilização da terra é um factor importante no aumento dos gases de efeito de estufa, ainda que o Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) o coloque em segundo lugar, atrás da queima de combustíveis fósseis.

Se os anos anteriores servirem de bitola, os fogos gregos, cipriotas e nos Balcãs deste Verão irão apagar-se com a chegada do Outono e das chuvas, ao contrário de zonas na Indonésia, por exemplo, onde algumas florestas ardem durante anos. 

 

 

Saber mais:

IUCN

EFFIS

IPCC

Questões quentes acerca da limpeza das florestas queimadas

Floresta portuguesa - o desespero de hoje e a esperança no amanhã

Biodiversidade em chamas I

Biodiversidade em chamas II- na encruzilhada

 

 

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