2007-08-21

Subject: Sim ou não à terapia génica?

 

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Sim ou não à terapia génica?

 

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Quase exactamente após a primeira morte num teste clínico de terapia génica, outra morte inesperada atingiu o campo no mês passado, seguida de pânico, indignação e pedidos de proibição total dos testes de terapia génica.

Mas culpar e proibir a terapia génica por este motivo não seria razoável e falharia completamente a questão. A indignação deve ser dirigida à forma como este teste clínico foi conduzido, uma situação que é recorrente em muitos testes, independentemente da terapia ser génica ou convencional.

A 2 de Julho, Jolee Mohr, uma mulher de 36 anos de Chicago, recebeu uma injecção que pensou lhe iria aliviar a artrite, dolorosa mas não incapacitante. Morreu a 24 de Julho de falência múltipla de órgãos, a mesma causa de morte de Jesse Gelsinger, de 18 anos, em Setembro de 1999. Em ambos os casos, a US Food and Drug Administration reagiu suspendendo os testes clínicos específicos e todos os que tivessem uma abordagem semelhante.

Mas ainda que as duas mortes tenham sido trágicas por poderem ter sido evitadas, não é a terapia génica que fica em cheque mas um sistema de testes clínicos pouco eficiente e claro.

A terapia génica é um procedimento experimental em que um vírus ostensivamente inofensivo é usado para substituir genes defeituosos no corpo de um indivíduo por genes saudáveis. Diz-se 'ostensivamente' porque o tratamento de Mohr envolvia adenovírus (AV), que nunca tinham causado problemas em humanos mas a causa da sua morte ainda não foi totalmente esclarecida e pode estar associada ao vector AV.

Eis o que se sabe acerca do que pode ter corrido mal: na altura da morte, todo o corpo de Mohr estava a combater uma infecção vírica e fúngica do tipo constipação, situações que geralmente têm sintomas suaves. A resposta de Mohr às infecções sugere que o seu sistema imunitário, cuja terapia génica devia ter suprimido apenas nos joelhos, pode ter sido destruído em todo o corpo.

Mas Mohr também estava a tomar um medicamento chamado Humira, conhecido por aumentar o risco de infecções fúngicas. Para além disso, sabe-se que desde o início do teste, em Outubro de 2005, mais outras 70 pessoas receberam a terapia génica sem qualquer efeito nefasto. Neste momento, concluindo, não se sabe o suficiente para acusar a terapia génica.

Muito mais se sabe acerca dos procedimentos nos testes clínicos e alguns destes detalhes parecem mais assustadores do qualquer injecção.

O painel federal que reviu o teste, dirigido pela empresa de Seattle Targeted Genetics, questionou a necessidade de terapia génica para o tratamento de uma doença que não ameaça a vida como é a artrite, e expressou preocupação acerca dos potenciais efeitos do tratamento sobre o sistema imunitário. Mas estes pareceres não são vinculativos e as empresas fazem basicamente o que querem com eles.

Mohr participava apenas na fase inicial do teste clínico, onde se avaliava a segurança e não a eficácia do tratamento, mas de acordo com o seu marido, ela estava com a ideia de que iria melhorar a artrite.

O reumatologista de Mohr, que a inscreveu para o tratamento, estava a receber da companhia para angariar pacientes para o teste, o que os peritos dizem que não deve acontecer: um paciente não liga tanto a uma descrição dos riscos se o conselho provém do seu próprio médico e não de uma terceira pessoa.

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O reumatologista e a companhia alegam que os riscos foram claramente explicados a Mohr mas vale a pena referir que ela assinou o consentimento pedido pela Targeted Genetics no consultório em vez de o levar para casa e ler com cuidado, como requerem a maioria dos protocolos de testes clínicos. O documento tinha mais de 10 páginas, com o alerta para o perigo de morte escondido algures no meio de muita conversa.

Todos estes perigos potenciais são motivo de preocupação mas a triste verdade é que nenhum deles é exclusivo da terapia génica e nenhum é realmente uma surpresa.

Conflitos de interesse, consentimento sem informação adequada e relatórios duvidosos acerca de 'situações adversas' fazem parte integrante do sistema de testes clínicos. Note-se apenas alguns dos escândalos dos últimos anos sobre a segurança dos anti-depressivos, do analgésico Vioxx e do medicamento para a diabetes Avandia. 

Uma análise de 2003 de 37 estudos descobriu que um em cada 4 investigadores tem ligações à industria e que a investigação financiada pela industria tem maior probabilidade de chegar a conclusões favoráveis às companhias.

A terapia génica já tem tido algum sucesso, ainda que modesto. Alguns testes, como o da doença do 'rapaz-bolha' e Parkinson, mostraram promessas interessantes.

A 17 de Setembro, o Comité de Aconselhamento do National Institutes of Health sobre a terapia génica vai analisar com rigor o caso Mohr. O seu marido, que tenciona estar presente na audiência, diz que até que a sua morte seja com certeza atribuída à terapia génica não tenciona atribuir culpas porque, explica ele, esta abordagem médica tem o potencial de ajudar muitas pessoas.

Se ele consegue ser razoável, com certeza todos o devemos ser. 

 

 

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