2007-08-18

Subject: Política de bio-combustíveis da U.E. é um engano

 

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Política de bio-combustíveis da U.E. é um engano

 

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O objectivo da União Europeia de garantir que 10% da gasolina e do gasóleo consumido provenha de fontes renováveis até 2020 não é uma forma eficiente de reduzir as emissões de dióxido de carbono, dizem os investigadores.

Um equipa de investigadores ingleses sugere que a reflorestação e a protecção dos habitats seria uma opção muito melhor. Escrevendo na última edição da revista Science, eles referem que as florestas podem absorver até nove vezes mais CO2 que a produção de bio-combustíveis pode alcançar com a mesma ocupação de terras. Além disso, acrescentam eles, o cultivo dos materiais para os bio-combustíveis também leva à desflorestação.

"A principal razão para a obrigação da utilização de energias renováveis era mitigar as emissões de dióxido de carbono (CO2)", diz Renton Righelato, um dos autores do estudo. Na nossa opinião esta política é errada porque é menos eficiente nesse aspecto que a reflorestação."

Righelato, secretário-geral do World Land Trust, acrescenta que a política pode, na realidade, levar a uma maior desflorestação em muitas zonas, à medida que a U.E. se for virando para outros países em busca de fornecedores para a crescente procura de bio-combustíveis.

Graphic showing carbon cycle

O princípio científico por trás da utilização da energia da biomassa é o ciclo do carbono: à medida que as plantas crescem absorvem dióxido de carbono do ar (C02). O carbono (C) passa a fazer parte dos tecidos vegetais e alimenta a planta, enquanto o oxigénio (02) é libertado. Quando os materiais vegetais são queimados, o carbono volta a combinar-se com o oxigénio e o dióxido de carbono resultante é devolvido à atmosfera. Por esse motivo, a contribuição da energia da biomassa para o efeito de estufa é muito inferior à dos tradicionais combustíveis fósseis. 

O estudo comparou a quantidade de dióxido de carbono absorvido por uma área florestal com o total de 'emissões evitadas' pela utilização de bio-combustíveis em lugar de combustíveis fósseis.

Os investigadores examinaram terras aráveis que tanto podiam ser utilizadas para o cultivo de plantas usadas no fabrico de bio-combustíveis ou replantadas com árvores.

"Analisámos a quantidade de bio-combustíveis produzida por hectare", explica Righelato. "A partir desse número, fomos capazes de calcular a quantidade de combustíveis fósseis que podiam ser substituídos pelos bio-combustíveis."

"Isso deu-nos um número para as emissões evitadas mas depois tivemos que subtrair daí as emissões de carbono geradas durante a produção dos bio-combustíveis."

Segundo ele, estes cálculos forneceram-lhes "as emissões brutas evitadas de dióxido de carbono".

"Este é o factor chave, ou seja, a quantidade de CO2 que se evita que seja libertado para a atmosfera com a utilização dos bio-combustíveis."

Os investigadores compararam, de seguida, as emissões brutas evitadas de carbono com a quantidade de CO2 que teria sido absorvida se as florestas tivessem sido restabelecidas na mesma parcela de terra.

"Em todos os casos, a quantidade de CO2 sequestrada pelas florestas ao longo de um período de 30 anos é consideravelmente maior que as emissões evitadas com a utilização dos bio-combustíveis", revela Righelato.

Os investigadores também examinaram o impacto da desflorestação devida à conversão das terras para o cultivo das plantas necessárias ao fabrico de bio-combustíveis e concluíram que o abate de árvores tinha um impacto imediato no ciclo do carbono.

 

"Os stocks de carbono florestal são entre as 100 e as 300 toneladas por hectare. Três quartos desse valor é o que é perdido no primeiro ano de abate e queima para o desbravar do terreno para a agricultura. Em todos os casos que examinámos, seriam necessários entre 50 e 100 anos para recuperar este carbono através da produção de bio-combustíveis."

No entanto, ele também refere que os chamados bio-combustíveis de segunda geração, que usam materiais biológicos como a palha, ervas e material lenhoso em vez de grãos de cereal ou óleo de palma, davam um panorama mais favorável.

"É uma possibilidade que parece oferecer mais possibilidades em termos de redução de emissões de CO2. Se pudermos extrair materiais lenhosos de forma sustentada das florestas, sem destruir o solo e de forma a que as florestas possam crescer novamente rapidamente, é bem possível que possamos juntar o útil ao agradável."

Vários países, incluindo a Alemanha, o Reino Unido e os Estados Unidos, estão a desenvolver bio-combustíveis de segunda geração mas os custos necessários à construção de 'bio-refinarias' comerciais tem sido uma barreira importante.

Mas dois investigadores americanos, escrevendo na revista Biofuels, Bioproducts and Biorefining, dizem que a subida do preço dos cereais pode tornar esta tecnologia comercialmente competitiva muito mais depressa do que se pensava.

Mark Wright e Robert Brown, da Universidade Estatal do Iowa, dizem que uma refinaria para bio-combustíveis de segunda geração custa quatro ou cinco vezes o da construção de uma fábrica de bio-etanol que utilize grãos de cereais como o milho.

No entanto, o custo total da produção dos bio-combustíveis de segunda geração seria semelhante aos dos bio-combustíveis produzidos a partir de culturas alimentares quando os preços do milho excederem $US 3 por cada 35 litros, explicam eles.

A adopção dos bio-combustíveis de segunda geração seria bem recebida pelos ambientalistas e pelas agências alimentares, que consideram os bio-combustíveis de primeira geração não sustentáveis.

Peritos presentes na conferência sobre a Semana Mundial da Água, a decorrer em Estocolmo, já expressaram preocupação com o facto de o cultivo de culturas alimentares para o fabrico de bio-combustíveis puder colocar em perigo as reservas mundiais de água.

"Quando os governos e as companhias estão a discutir soluções de bio-combustíveis, eu temo que as questões relativas à água não estejam a ser devidamente tidas em conta", diz Johan Kuylenstierna, director da conferência anual. 

 

 

Saber mais:

Biofuels, Bioproducts and Biorefining

 

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