2007-08-16

Subject: Cobras contra-atacam a fome

 

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Cobras contra-atacam a fome

 

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Algumas cobras são conhecidas por serem capazes de passar sem alimentos por períodos até dois anos. 

Até há pouco tempo, o mecanismo por trás desta capacidade única não era conhecido mas agora novas investigações revelaram alguns dos truques das serpentes. Estes truques podem ser a razão que manteve este grupo de animais altamente especializados vivo desde os tempos do Tyrannosaurus rex.

Há muito que os biólogos consideram que existem duas tácticas principais utilizadas pelos animais para ultrapassar os períodos de fome. A temperatura corporal basal pode ser reduzida, como no caso dos pinguins que entram em torpor para reduzir o consumo de calorias no Inverno. Os animais que hibernam usam outro método, armazenando comida e reduzindo os níveis de actividade. Algumas espécies, como os ursos polares, utilizam as duas tácticas.

As cobras, parecia, têm um método totalmente diferente à sua disposição: podem poupar energia sem baixar a sua temperatura corporal e manter-se totalmente alerta. Como bónus, também podem passar fome por períodos mais longos sem que comecem a 'devorar' o próprio corpo a partir do interior.

O biólogo Marshall McCue, da Universidade do Arkansas, Fayetteville, manteve cobras rateiras, pitons e cascavéis em jaulas onde não podiam alterar os seus níveis de actividade, eram forçadas a estar inactivas. As cobras também não podiam reduzir a temperatura corporal, fechadas num laboratório com uma temperatura constante de 27ºC. Os animais ficaram então sem comer por um período que chegou aos 168 dias.

McCue mediu o consumo de oxigénio dos animais e descobriu que elas de alguma maneira conseguiam reduzir as exigências do seu metabolismo base até 72%. "Não tínhamos ideia que estes animais pudessem reduzir as suas taxas metabólicas abaixo do seu estado de repouso normal", diz McCue. "Parece que a sua luz piloto, que já pensávamos ser o menor possível, pode ainda ser baixada."

De que forma as cobras estão a baixar a sua taxa metabólica, sem baixarem a sua temperatura, e mantendo-se suficientemente alerta para serem capazes de morder o seu captor, é um mistério. McCue pensa que as cobras podem estar a reduzir a densidade de mitocôndrias nas células de tecidos muito activos, como os do fígado e do coração.

Para além disso, as cobras tinham uma forma engenhosa de esticar os seus recursos durante o período de fome. Todos os animais queimam lípidos (gorduras) para obter energia quando não têm comida mas os lípidos têm algumas funções essenciais no corpo, sendo parte de células e órgãos necessários à transferência de nutrientes, por exemplo. 

 

Por esse motivo, se a fome continua e as reservas de gordura começam a diminuir, a maioria dos animais vira-se para as proteínas corporais para obter energia, o que significa se começam a devorar a si próprios, um processo que apenas pode ser tolerado durante um curto período de tempo antes de resultar na morte.

"Na maioria dos animais que passam fome, permitir que o nível de lípidos corporais baixe para menos de 10% da massa corporal é uma sentença de morte", diz McCue. Mas as cobras foram capazes de descer a gordura corporal para os 5% antes de se voltarem para o consumo de proteínas, descobriu ele, o que lhes permitiu aguentar mais tempo sem comida. "Mesmo aí, o consumo das suas próprias proteínas teve pouco impacto na sua saúde porque tinham reduzido de forma tão drástica o metabolismo."

"A capacidade de utilizar selectivamente os lípidos a níveis baixos, conservando assim as proteínas estruturais, pode ser uma descoberta crucial na compreensão da sobrevivência à fome", diz o fisiólogo Anthony Steyermark, da Universidade de St Thomas, Minnesota.

Mas talvez mais importante seja a quantidade de depressão metabólica observada nestes animais abaixo do estado de repouso, acrescenta ele. "A ideia de taxa metabólica base pode ter que ser repensada."

A investigação, a ser publicada na revista Zoology do próximo mês, pode ter implicações paleontológicas importantes. Sobreviver a períodos de fome pode ser a chave para a sobrevivência de uma espécie em 'tempo de vacas magras'. 

Se outros animais com origens antigas, como as tartarugas, os tubarões e os anfíbios, tiverem também a capacidade de baixar a sua taxa metabólica sem afectar o seu grau de alerta, pode ser uma melhor explicação para o motivo porque estes animais sobreviveram às sucessivas extinções em massa. 

 

 

Saber mais:

All About Snakes

Snake ID

 

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