2007-08-13

Subject: Aquecimento global vai reduzir o crescimento vegetal nas florestas tropicais

 

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Aquecimento global vai reduzir o crescimento vegetal nas florestas tropicais

 

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O aquecimento global pode reduzir a taxa a que as árvores nas florestas tropicais crescem em cerca de metade, revelam mais de duas décadas de dados recolhidos nas florestas do Panamá e da Malásia.

O efeito, até agora praticamente ignorado pelos modelos do clima, pode reduzir gravemente ou mesmo impedir completamente que a floresta tropical húmida remova dióxido de carbono da atmosfera à medida que cresce.

O estudo mostra que a subida das temperaturas médias reduziu as taxas de crescimento até 50% nas duas florestas tropicais húmidas, que sofreram ambas um aquecimento climático acima da média mundial nas últimas décadas. A tendência é revelada por dados que se estendem desde 1981 recolhidos a partir de centenas de milhar de árvores individuais.

Se outras florestas tropicais seguirem a tendência à medida que as temperaturas globais aumentam, importantes sumidouros de carbono como as antigas florestas amazónicas podem deixar de armazenar carbono, diz Ken Feeley, do Arnold Arboretum da Universidade de Harvard em Boston, que apresentou a sua investigação no encontro anual da Ecological Society of America em San José, Califórnia.

A quantidade de carbono que uma floresta armazena depende do equilíbrio entre a sua taxa de absorção de dióxido de carbono atmosférico através da fotossíntese e a taxa a que o liberta novamente através da respiração. Nos sumidouros de carbono, que se encontram principalmente nas latitudes mais elevadas, a fotossíntese ultrapassa a respiração e a quantidade de carbono armazenado aumenta. 

De modo geral, actualmente considerava-se que as florestas tropicais actuassem como locais de armazenamento estáveis de carbono, com a taxa fotossintética e respiratória mais ou menos equilibradas entre si.

Alguns cientistas e ambientalistas já sugeriram que, dada a forma como o dióxido de carbono estimula o crescimento vegetal, as florestas tropicais poderiam, eventualmente, actuar como um sumidouro, compensando algum do dióxido de carbono que o Homem está a colocar diariamente na atmosfera.

Mas esse optimismo vai ter que ser reprimido se a fotossíntese for inibida nos trópicos. As tendências medidas por Feeley sugerem que vastas regiões tropicais podem tornar-se emissoras de dióxido de carbono, e não sumidouros: "A bacia do Amazonas como um todo pode tornar-se uma fonte de carbono."

Feeley analisou dados climáticos e de crescimento das árvores em segmentos de 50 hectares em cada uma das florestas tropicais, na ilha Barro Colorado no Panamá e em Pasoh na Malásia. Ambas tiveram subidas de temperatura de mais de 1ºC ao longo dos últimos 30 anos e ambas revelaram reduções drásticas no crescimento das árvores. Em Pasoh, até 95% das espécies arbóreas foram afectadas, relata Feeley.

 

Feeley suspeita que o efeito deriva da fotossíntese nas árvores ser inibida pela subida da temperatura acima de um certo limite. O efeito, acrescenta ele, não tem sido incluído nos modelos globais do ciclo do carbono, o que significa que as predições para o desempenho futuro das florestas tropicais como locais de armazenamento de carbono podem ter sido indevidamente optimistas.

Mas posto isso, ele salienta que o efeito está longe de ser comprovado, e pode ser devido a outros factores. "Considerando apenas o dióxido de carbono a aumentar, sabemos que a taxa de crescimento aumenta", diz ele, "mas existem outros factores, é ingenuidade pensar apenas em um." O estudo reconhece que o aumento da nebulosidade ou mesmo mais trepadeiras parasitas podem ser responsáveis por parte dos resultados.

Ainda assim, em último caso, estas alterações também estão relacionadas com as alterações climáticas, que se espera que tenham efeitos sobre toda a zona tropical. "Se estamos correctos e a temperatura é o motor destas alterações, isto é algo que vamos observar em mais locais", prevê Feeley. "Isto tem implicações muito importantes, podemos ter que procurar outros locais para depositar o nosso excesso de carbono."

Até agora, a floresta amazónica, a maior do mundo, não sofreu um aquecimento significativo mas mesmo as predições mais optimistas dos analistas climáticos são de 2ºC ao longo deste século, logo a maioria das florestas tropicais pode começar a sentir o efeito muito em breve. 

 

 

Saber mais:

Center for Tropical Forest Science

Árvores amazónicas crescem mais na estação seca

Árvores não absorvem dióxido de carbono como esperado

Crise climática pode estar a menos de 10 anos

 

 

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