2007-08-10

Subject: O melhor é o inimigo do bom

 

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O melhor é o inimigo do bom

 

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As mutações benéficas em bactérias Escherichia coli ocorrem mil vezes mais frequentemente do que antes se considerava, revela o estudo agora conhecido realizado em Portugal.

Num estudo de populações de diversos tamanhos de E. coli, Isabel Gordo e as suas colegas do Instituto Gulbenkian de Ciência em Oeiras, descobriram que milhares de mutações que podem ter pouco impacto a nível de adaptação estavam a passar despercebidas porque as boas mutações estavam a ser suplantadas pelas melhores.  As autoras dizem que o seu trabalho pode explicar o motivo porque as bactérias são tão rápidas a desenvolver resistência a antibióticos.

"Mudou a minha forma de pensar", diz Frederick Cohan, professor de biologia da Universidade de Wesleyan em Middletown, Connecticut. Ele acrescenta que ainda que os princípios envolvidos estivessem claros, ninguém esperava encontrar uma taxa tão elevada de mutação adaptativa.

Em populações muito grandes de um organismo assexuado como a E. coli, a evolução adaptativa é um jogo em que o vencedor leva tudo. Quando um organismo desenvolve uma mutação que lhe fornece vantagem sobre os restantes, o seu genoma rapidamente se torna dominante na população. Quando isto acontece, outras mutações que podem oferecer uma resposta adaptativa um pouco inferior geralmente são perdidas.

Os biólogos evolucionistas conhecem este efeito de máscara de mutações adaptativas mais fracas por interferência clonal, e alguns suspeitavam já que uma fatia das mutações benéficas estavam a passar despercebidas por esse motivo.

O trabalho de Gordo difere dos estudos anteriores na variação de tamanho das populações analisadas. As populações maiores continham 10 milhões de células e as menores cerca de 20 mil. O número de mutações era mil vezes maior nas populações menores que nas maiores.

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Cohan diz que está espantado com a ideia, implícita no estudo, que a mutação tem muitas mais formas de conferir adaptação do que as que vulgarmente se observam. "Que existam tantas mutações possíveis diz-nos que muitos genes podem estar envolvidos na resposta adaptativa."

O que é menos claro é a forma como as mutações minimamente benéficas geralmente mascaradas pela interferência clonal podem contribuir para a velocidade a que as bactérias desenvolvem resistência aos antibióticos, comenta Carl Bergstrom, um teórico da evolução da Universidade de Washington em Seattle. "Não me parece que isso tenha sido testado directamente."  É mais frequente que a resistência se adquira através de transferência de plasmídeos do que por mutação.

Mas a transcrição de genes que conferem resistência é um processo caro para as bactérias, diz  Gordo, e as mutações benéficas podem ajudar com isso. "Como as bactérias se adaptam rapidamente, as bactérias resistentes podem ser capaz de compensar o custo da resistência aos antibióticos." Estudos futuros, diz ela, podem analisar a resposta a antibióticos e outros factores de stress ambiental. 

 

 

Saber mais:

Isabel Gordo - página pessoal

 

 

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