2007-08-09

Subject: Bem mais que uma pilha de ossos ...

 

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Bem mais que uma pilha de ossos ...

 

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A visão tradicional do esqueleto como um andaime inerte está a ser desfiada por um novo estudo que mostra que esta estrutura também desempenha um papel importante no sistema hormonal do corpo. 

As células do osso produzem uma hormona que influencia o teor de açúcar no sangue e a deposição de gorduras.

O estudo pode conduzir a novas abordagens ao tratamento da diabetes e está a ser considerado um marco histórico. As descobertas vão para além do que os investigadores esperavam no início.

"Fiquei muito surpreso", diz Gerard Karsenty, autor principal do artigo e perito em desenvolvimento do esqueleto na Universidade de Columbia em Nova Iorque. "Parece que o esqueleto funciona como um regulador do metabolismo." 

Karsenty já tinha demonstrado que o metabolismo ósseo era influenciado pelas células adiposas. Usando uma versão de Endocrinologia da 3ª lei de Newton, de que para cada acção há uma igual e oposta reacção, ele pôs a hipótese de que se as células adiposas estavam a influenciar o osso, o osso devia influenciar a gordura. 

Daí partiu para a descoberta das moléculas que influenciavam o metabolismo e eram produzidas pelos osteoblastos, as células que fabricam o osso.

Na edição desta semana da revista Cell, ele relata que a hormona osteocalcina libertada pelos osteoblastos tem essa função. Ratos que não produzem esta hormona apresentam intolerância à glicose e resistência à insulina, têm menos células beta (produtoras de insulina) que os ratos normais. A falta de células beta e de insulina é uma situação característica da diabetes tipo 1, enquanto  resistência à insulina conduz ao diabetes tipo 2.

Karsenty também suprimiu a expressão do gene Esp, que descreve uma proteína receptora e está geralmente activo nos osteoblastos. 

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Ratos com este gene inactivo estavam protegidos da obesidade e da intolerância à glicose. Eram hipoglicémicos e tinham células beta em maior quantidade, mais insulina e maior sensibilidade à insulina, ou seja, o inverso da diabetes e da carência de osteocalcina. Reduzir o grau em que se expressa o gene da osteocalcina nestes ratos produziu um "reversão espantosa" destes efeitos, dizem os investigadores.

Isto sugere que a osteocalcina desempenha um papel duplo extraordinário. "A peculiaridade que a torna tão importante é que aumenta tanto a secreção de insulina como a sensibilidade à insulina", diz Karsenty.

Este papel duplo é importante porque o aumento na secreção de insulina é geralmente acompanhado por uma diminuição da sensibilidade à insulina. Karsenty considera que este comportamento invulgar significa que a osteocalcina poderá ser usada como tratamento para a diabetes. "Nada é certo em biologia mas o gene está presente em ratos e no Homem, tal como a proteína, logo é provável que tenha a mesma função."

Apesar deste desconhecimento, a prova de que o esqueleto também funciona como órgão endócrino é uma descoberta crucial, comenta Graham Williams, perito em endocrinologia do Imperial College de Londres. "Foi uma grande surpresa e deve levar a uma alteração de paradigmas." 

 

 

Saber mais:

Cell

Karsenty's research page

 

 

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