2007-08-06

Subject: Desvendados segredos da migração do atum-rabilho

 

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Desvendados segredos da migração do atum-rabilho

 

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Os segredos da migração do atum-rabilho foram revelados através de um dos estudos mais detalhados alguma vez feitos sobre este predador gigante dos oceanos, dizem os investigadores.

Os investigadores acreditam que duas populações separadas deste peixe partilham locais de alimentação no Atlântico antes de se deslocaram para lados opostos do oceano para procriarem.

Para ajudar a revelar o seu padrão migratório, uma equipa internacional de investigadores colocou etiquetas em quase mil animais. As descobertas fazem parte de um estudo global de 10 anos que pretende obter um censo da vida marinha.

A equipa também estudou os registos históricos que demonstram que os atuns-rabilho, antes abundantes no Atlântico norte, entraram em colapso após o surgimento da pesca industrial.

"O que as etiquetas nos mostraram é que todos os peixes marcados surgem na mesma área do Atlântico norte para se alimentarem", explica André Boustany, do Tuna Research and Conservation Center da Universidade de Stanford, Califórnia.

Estas áreas de alimentação incluem zonas ao largo das costas leste do Canadá e Estados Unidos e também das costas de Portugal, Espanha e Irlanda. "Mas quando é tempo destes peixes voltarem aos seus terrenos de desova separam-se."

Boustany diz que os dados também revelaram que o atum-rabilho do norte Thunnus thynnus não só retorna a um local de desova específico ano após ano mas também também escolhe a localização onde nasceu. Este comportamento, sugere ele, revela que os peixes estão geneticamente conduzidos a faze-lo.

"Tem que haver qualquer tipo de componente genética porque os peixes podem estar no Atlântico oeste durante 3 ou 4 anos, nas zonas de alimentação, mas quando chega o momento de se reproduzir seguem em linha recta através do estreito de Gibraltar para os seus terrenos de desova no Mediterrâneo."

Testes de laboratório mostraram que existem "diferenças genéticas significativas" entre as duas populações. "Isto não aconteceria a não ser que os peixes não se estivessem a cruzar de todo, situação que só pode ser comprovada com este estudo de etiquetagem e genética."

O projecto de etiquetagem, baptizado Tag-A-Giant (TAG), colocou quase mil etiquetas. Foram usados dois tipos de dispositivos: etiquetas externas aplicadas no dorso e etiquetas internas, aplicadas através de uma pequena cirurgia. Ambas seguem o movimento do animal e registam a profundidade e a temperatura da água.

 

Mike Storesbury, da Universidade de Dalhousie no Canadá, refere que o acesso aos dados das etiquetas internas exige que os pescadores devolvam os dispositivos depois de o peixe ter sido capturado, mas as etiquetas externas foram programadas para se soltarem automaticamente após um certo tempo.

A colocação da etiqueta no atum é muito rápida. "Demora cerca de 2,5 minutos", diz Storesburg. "Quando trazemos o peixe para bordo colocamos uma mangueira de água salgada na boca para lhe hidratar as guelras, permitindo ao peixe respirar durante todo o tempo e reduzindo o stress."

Outra componente do estudo sobre o atum é o estudo com uma década envolvendo cientistas de mais de 80 países, com um historial detalhado da sua evolução na primeira metade do século XX.

Revelou que a espécie antes abundante, praticamente desapareceu das águas em volta da Europa ocidental após a explosão da pesca comercial. Brian McKenzie, da Universidade Técnica da Dinamarca, considera que foi como juntas as peças de um quebra-cabeças. 

Ron O'Dor, um dos principais investigadores responsáveis pelo censo, diz que a combinação de dois estudos forneceu uma visão única sobre o estado da população de atum-rabilho. 

Segundo ele, podemos devolver os oceanos à condição em que antes estavam, antes da pesca industrial, se forem aplicados esquemas de gestão e aplicação de leis. "Estudos como este, no âmbito do censo da vida marinha, mostram que sabemos muito sobre o que actualmente se passa nos oceanos, a ignorância já não é desculpa." 

 

 

Saber mais:

Census of Marine Life

Tag-A-Giant

Tuna Research and Conservation Center

Quotas de captura de atum reduzidas devido ao declínio dos stocks

Política de pesca e protecção do atum está mal direccionada

 

 

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