2007-07-30

Subject: Cancro em animais grandes destrói-se a si próprio?

 

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Cancro em animais grandes destrói-se a si próprio?

 

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O cancro pode ser mais comum mas menos letal nos animais grandes, dizem os investigadores que estão a realizar modelos da formação de tumores. Eles sugerem que os tumores em animais grandes originam outros tumores ainda mais agressivos que impedem o desenvolvimento dos seus 'pais'.

Os animais grandes têm tendência para ter mais células e vidas mais longas que os pequenos. Esta situação deve torná-los mais aptos a desenvolver cancros pois ter um maior número de células aumenta as hipóteses de uma delas se ornar maligna e a idade estão decididamente correlacionada com o risco de cancro.

"O motivo porque a probabilidade de desenvolver cancro maligno não dispara com o aumento de tamanho é uma questão intrigante. Se o tamanho realmente aumentasse o risco de cancro as baleias bebé morriam todas de cancro alguns dias depois de nascerem", diz Armand Leroi, biólogo evolutivo do desenvolvimento no Imperial College London.

O biólogo John Nagy, da Universidade Estatal do Arizona, colocou a hipótese se a selecção natural favorecer as células mais agressivas de um tumor. Estas crescem rapidamente, à custa da secreção de químicos que estimulam o crescimento dos vasos sanguíneos que alimentam o tumor.

Os autores sugerem que estas células agressivas crescem no tumor parental, criando um 'supertumor' que danifica ou destrói o tumor parental ao sabotar o seu fornecimento de nutrientes. Em animais maiores, os tumores precisam de crescer muito para se tornarem letais, dando aos supertumores mais tempo para evoluir.

Para testar esta ideia, Nagy e os seus colegas usaram uma simulação de computador que começou com um único tumor localizado aleatoriamente e com um fornecimento de nutrientes. O tumor foi desafiado por estirpes mutantes que conseguiam alterar o seu crescimento de formas realistas mas não eram criadas especificamente para originar supertumores.

A equipa simulou o crescimento do tumor e a vascularização em seis animais, desde uma pikas do tamanho de um rato ao Homem e às baleias azuis. Para cada espécie, fizeram a simulação mil vezes.

Na maioria das simulações, os supertumores evoluíram e impediram o crescimento do tumor parental. Os animais maiores tinham mais supertumores e uma menor incidência de cancros fatais. A simulação previu que um tumor de um animal grande só se torna letal se crescer muito depressa e se for altamente vascularizado.

 

"A ideia do supertumor é engenhosa porque aplica a teoria da selecção natural de Darwin às células cancerosas para explicar o que estamos a observar neste paradoxo do tamanho", diz Leroi.

Mas nem todos concordam: "Na minha opinião, os autores simplificaram excessivamente a complexidade do cancro. Assumiram que o risco de cancro é igual para todas as células de mamífero, o que é falso", diz Daniel Martineau, patologista veterinário da Universidade de Montreal.

As células de roedor são muito fáceis de transformar em células cancerígenas que as humanas, diz Martineau. Isto deve-se em parte a elas expressarem a telomerase, uma enzima que repara os cromossomas. As células humanas normalmente não expressam a telomerase, o que limita o seu tempo de vida e acaba por as proteger contra o cancro.

"Nós sabemos que a nossa simulação não prova nada mas realiza algumas previsões testáveis, a mais importante das quais é que os tumores em animais grandes têm que ser altamente vascularizados", diz Nagy. Uma análise dos tumores das baleias é o próximo passo lógico, se se descobrir que são muito vascularizados será um grande apoio à teoria de Nagy. 

 

 

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