2007-07-26

Subject: Mudança de sexo dizima espécies invasoras

 

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Mudança de sexo dizima espécies invasoras

 

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Os químicos que desencadeiam alterações de sexo podem fornecer uma nova forma de combater as espécies invasoras, dizem os investigadores.

Originalmente concebidos como solução para as enormes populações de carpas asiáticas e tilapias que são uma praga no rio Mississípi, pensa-se agora que podem ser usados para combater crustáceos, moluscos, peixes, anfíbios e répteis por todo o mundo.

A invasão por espécies exóticas é considerada a principal ameaça à biodiversidade global, apenas atrás da destruição do habitat. A abordagem tradicional de lidar com estes seres tem sido a introdução de um predador conhecido e deixar a natureza seguir o seu curso. 

No entanto, este procedimento tem conduzido a numerosos desastres, por exemplo os sapos dos canaviais que inundaram a Austrália depois de terem sido introduzido numa tentativa de controlar os escaravelhos da cana-de-açúcar.

Na Florida, as tilapias foram introduzidas deliberadamente para controlar uma erva aquática do género Hydrilla, que estava a sufocar os rios americanos desde a década de 60 do século passado. Duas espécies de caracol também foram introduzidas posteriormente pelas autoridades, diz Gutierrez, mas ambas ignoraram a Hydrilla, preferindo devorar espécies nativas.

Em 2004, alertado pelos problemas com espécies invasoras da Florida, Juan Gutierrez, um biomatemático da Universidade Estatal da Florida, construiu um modelo matemático da população em que os machos transportassem dois cromossomas diferentes (XY) e as fêmeas dois iguais (XX). Em muitas espécies de peixes, anfíbios e outros animais, o género é determinado não apenas pelos cromossomas sexuais (como nos humanos) mas também pelas condições ambientais como a presença de hormonas, explica Gutierrez.

Ao expor os machos genéticos a hormonas femininas, ou vice-versa, é possível criar um macho geneticamente XX, ou uma fêmea XY ou mesmo YY. Estes indivíduos, com os genes de um sexo e as características físicas de outro, são conhecidos por por portadores de cromossomas 'cavalo de Tróia'.

No modelo de Gutierrez, a introdução repetida de fêmeas YY resulta numa população com excesso de machos, pois todos os descendentes dos acasalamentos entre machos (XY) e fêmeas YY são machos e muitos outros nascem nas gerações seguintes.

Com menos e menos fêmeas, a taxa de nascimentos entra em declínio e finalmente pára e a população extingue-se em poucas décadas. Os cálculos foram publicados na última edição da revista Journal of Theoretical Biology.

Mas Gutierrez é cauteloso acerca de testar as suas ideias no mundo real por enquanto. "É preciso fazer mais estudos para compreender melhor como a inversão dos sexos pode ser alcançada de forma eficiente nas diversas potenciais espécies alvo", diz ele. "A abordagem não é uma solução mágica para as espécies invasoras mas antes uma solução a curto prazo que exige um empenhamento sério ao longo de muitos anos."

 

A ideia de controlar uma espécie invasora manipulando a razão entre os sexos não é nova, diz Gutierrez. No entanto, planos anteriores exigiam organismos transgénicos o que não é desejável pois há o risco de os genes 'escaparem' para a natureza. A utilização de hormonas não tem este problema: "Com a nossa técnica os animais não são modificados geneticamente", explica Gutierrez. "Não introduzimos novos genes, é muito diferente."

A abordagem tem numerosas vantagens, diz Samuel Cotton, da Universidade de Lausanne, Suíça, que analisou a teoria de Gutierrez. "O método só afecta as espécies alvo, logo não há probabilidade de danos ecológicos", salienta ele "Também é reversível, se houver algum efeito colateral indesejado pode-se simplesmente parar de colocar fêmeas YY,"

Gutierrez uniu forças com John Teem, do Departamento de Agricultura da Florida, para examinar a estratégia e como ela poderá evitar a disseminação de mais espécies invasoras, como outra espécie de caracol, nos cursos de água do estado. Tencionam publicar uma versão avançada do modelo mais tarde este ano, que permitirá aos cientistas e políticos avaliar a sustentabilidade da técnica em casos específicos.

Mas não é certo se o projecto receberá apoio. "O problema é grande, caro e as agências governamentais encarregues têm poucos fundos disponíveis", diz Gutierrez. "O Programa de Investigação sobre a Gestão Económica das Espécies Invasoras teve apenas US$4,9 milhões para gastar entre 2003 e 2006. Apenas podemos imaginar porque motivo a agência responsável apenas gasta US$4.9 milhões em quatro anos num problema que, de acordo com estimativas conservadoras, custa aos Estados Unidos US$200 mil milhões por ano em danos." 

 

 

Saber mais:

IUCN Invasive Species Specialist Group

Journal of Theoretical Biology

Falta de oxigénio causa alterações de sexo em peixes

Machos produzem óvulos no Potomac

Tamanho é importante na mudança de sexo

Redução do número de fêmeas pode ter extinguido dinossauros

 

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