2007-07-03

Subject: Peixes dos recifes fazem dieta para manter a ordem social

 

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Peixes dos recifes fazem dieta para manter a ordem social

 

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Alguns peixes de recife de coral passam fome para evitar entrar em conflito com os seus vizinhos dominantes e maiores, descobriram os investigadores.

Os gobis esmeralda dos corais vivem em pequenos grupos, onde o estatuto social é determinado estritamente pelo tamanho do corpo. Dentro de cada grupo, só a maior fêmea, a dominante, acasala com o único macho residente.

Em vez de competir para alcançar o lugar de topo, as fêmeas gobis subordinadas limitam o seu crescimento de forma a permanecerem não ameaçadoras para os peixes de estatuto mais elevado.

Na base desta estratégia de coexistência pacífica está o medo de ser expulsa e acabar por morrer, dizem os investigadores.

Cada grupo de gobis, com cerca de 17 indivíduos, ocupa uma única colónia de coral que lhes fornece alimento e abrigo. Quando um gobi subordinado se aproxima do tamanho de um dominante, arrisca-se a ser expulso à força do grupo social e os predadores rapidamente devoram as fêmeas que são afastadas das colónias.

"Acreditamos que a expulsão resulta numa morte quase certa", diz Marian Wong, da Universidade James Cook em Townsville, Austrália.

A equipa de Wong descobriu que com uma penalidade tão elevada, os gobis de menor estatuto fazem dietas radicais de livre vontade para garantir que mantêm a sua posição modesta na hierarquia social.

"Quando as fêmeas atingem uma diferença de tamanho de cerca de 5% relativamente à sua dominante imediata, cessam repentinamente de se alimentar", explica Wong. Ao regular o tamanho corporal, evitam os conflitos e a expulsão. "As expulsões são raras na natureza, é mais a ameaça de ser punido que garante a estabilidade, e não o acto de punição por si."

Os resultados do estudo foram publicados na última edição da revista Proceedings of the Royal Society B.

A equipa de Wong construiu o seu modelo da estrutura social dos gobis através de uma combinação de observações de campo e experiências laboratoriais.

Na ilha Lizard, na Grande Barreira de Recife da Austrália, os investigadores mediram o tamanho de fêmeas marcadas para determinar o seu estatuto dentro do grupo. Medições subsequentes realizadas seis meses depois, permitiram aos investigadores comparar as taxas de crescimento das fêmeas dominantes e subordinadas.

As subordinadas que começaram muito pequenas relativamente ao próximo degrau na hierarquia cresceram rapidamente ao início mas esse crescimento abrandou ou cessou totalmente quando o tamanho do subordinado se aproximava dos 95% do peixe hierarquicamente seguinte.

Experiências laboratoriais confirmaram que a partir desta razão entre tamanhos, os conflitos entre subordinados e dominantes aumentavam acentuadamente. Por vezes as subordinadas prevaleciam mas a probabilidade de serem as dominantes a expulsar as competidoras era muito superior.

 

Os resultados de campo e de laboratório demonstraram que todos os gobis da hierarquia regulavam a sua alimentação de forma a evitar provocar estas lutas, onde era pouco provável que ganhassem.

A curto prazo, diz Wong, esta estratégia beneficia as fêmeas dominantes, que não têm que usar a força para impedir que peixes subordinados se reproduzam. Por isso, ela considera que este comportamento pode ser visto como uma forma de cooperação pois as fêmeas subordinadas podem chegar ao topo da fila da reprodução simplesmente vivendo mais tempo que as suas superiores.

"Os membros do grupo inferiores na hierarquia realmente sobem de estatuto, geralmente devido à morte natural de um ou mais membros de estatuto mais elevado na fila para a reprodução", diz Wong.

Os sistemas sociais em que as fêmeas dominantes têm o monopólio da reprodução também existem em mamíferos, como as suricatas. Nessas sociedades animais, a harmonia é mantida através de um equilíbrio delicado de coacção e cooperação. "O ostracismo ou a expulsão do grupo é uma ameaça poderosa para garantir a obediência", salienta Michael Cant, da Universidade de Cambridge.

Nas sociedades de suricatas, as fêmeas subordinadas que engravidem são frequentemente expulsas do grupo pelas dominantes. Os gobis parecem levar a situação um pouco mais além, com a ameaça de expulsão a evitar que as subordinadas subam um único degrau na hierarquia.

Cant salienta que o papel da ameaça na estruturação das sociedades animais é inerentemente difícil de estudar.

"A ideia de que a ameaça de expulsão leva a um constrangimento do crescimento nas subordinadas já tinha sido colocada antes mas nunca tinha sido verificada experimentalmente. De forma geral, este estudo levanta a possibilidade de que possam existir ameaças escondidas a influenciar o comportamento individual e as características do grupo, ameaças invisíveis a não ser que as regras sociais sejam quebradas", diz ele.

Também outro investigador de Cambridge, Rufus Johnstone, disse que o facto de os gobis reconhecerem e responderem a essas ameaças é particularmente interessante: "Pode não parecer assim tão surpreendente mas implica que têm a sua forma simples de contrato social. Mesmo que a expulsão seja rara, a ameaça é suficiente para manter um alinhamento rigoroso da reprodução." 

 

 

Saber mais:

Oceanos ameaçados por aumento da acidez

Corais podem ter ajuda contra aquecimento global

Proceedings of the Royal Society B

 

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