2007-06-28

Subject: Do deserto para o sofá

 

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Do deserto para o sofá

 

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Os gatos domésticos têm vindo a ser adorados como deuses, amaldiçoados como demónios e amados como companheiros desde que os conhecemos. Mas quando e como o Homem acolheu o gato no seu lar?

De acordo com a mais recente análise genética, o gato doméstico moderno descende de uma população de gatos selvagens domesticados que deambulavam pelo Médio Oriente há mais de 100 mil anos.

Carlos Driscoll, zoólogo da Universidade de Oxford e do National Cancer Institute de Frederick, Maryland, analisou 979 gatos de todo o mundo, incluindo os gatos selvagens, gatos vadios, gatos domésticos de várias raças e gatos do deserto.

Ao comparar os genomas dos diversos gatos, os investigadores estabeleceram as relações entre as espécies, com o objectivo, dizem os autores, de descobrir "os vestígios arqueológicos deixados nos genomas dos gatos actuais".

O DNA mostra que os gatos domésticos são mais semelhantes aos gatos selvagens que actualmente vivem nos desertos de Israel, Emirados Árabes Unidos, Bahrain e Arábia Saudita. A descoberta foi esta semana publicada na revista Science.

"Descobrimos cinco linhagens distintas que datam de há 100 mil anos antes do registo arqueológico da domesticação", diz David Macdonald, zoólogo da Universidade de Oxford e co-autor do estudo. "Estas linhagens parecem vir de pelo menos cinco fêmeas do Próximo Oriente cujos descendentes foram transportados para todo o mundo pelo Homem."

Mas todos pensávamos que o Farrusco era descendente de gatos egípcios adorados como deuses mas não é necessariamente verdade. Ainda que os egípcios tivessem um saudável respeito pelos seus felinos reais, provavelmente não foram os primeiros a acolher os animais nos seus lares.

Há 3 anos, os cientistas relataram a descoberta de um túmulo com 9500 anos em Chipre, contendo um humano e um gato. Esta descoberta foi interpretada como prova de que o animal estava domesticado e tinha sido enterrado com o dono, milhares de anos antes de os egípcios adorarem Bast, uma deusa muitas vezes representada sob a forma de uma gata.

"A associação de gato e Homem no morte é uma forte evidência de uma associação em vida", diz Jean-Denis Vigne, arqueólogo do Museu de História Natural de Paris, que trabalhou na descoberta. Mas Vigne acrescenta que isto não prova que a sociedade tivesse adoptado os gatos como companheiros: "Trata-se de uma relação forte entre uma pessoa e um gato."

 

Outros acreditam que mesmo isso já é demasiado. "Não há provas de domesticação", diz Tom Rothwell, do Museu Americano de História Natural de Nova Iorque. "Trata-se apenas de um humano enterrado com um gato, se o animal fosse de estimação teria uma coleira ou uma taça de comida."

Rothwell considera que a primeira prova de domesticação é um mural egípcio com 2500 anos que mostra um gato amarrado a uma cadeira a brincar com um rato.

Apesar da árvore genealógica mostrar o ramo do gato doméstico a originar-se há mais de 100 mil anos, isso não significa que os gatos já fossem domesticados, apenas significa que a população que conduziu aos gatos domesticados e aos gatos selvagens do Médio Oriente divergiu das restantes por essa altura.

Em relação á domesticação, a teoria é que quando os caçadores-recolectores se tornaram agricultores começaram a armazenar cereais que atraíram roedores. Estes, por sua vez, atraíram gatos selvagens que gradualmente se integraram com os seus vizinhos humanos. Vigne considera que evidências da domesticação dos gatos devem surgir perto da data da armazenagem de cereais, há cerca de 12 mil anos.

Das 37 espécies de felinos, o gato doméstico é o único que não está ameaçado, havendo cerca de 600 milhões por todo o mundo.

 

 

Saber mais:

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