2007-06-20

Subject: Pode a ciência forense depender do 'testemunho' dos insectos?

 

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Pode a ciência forense depender do 'testemunho' dos insectos?

 

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Lynn Kimsey foi uma das 137 testemunhas chamadas ao julgamento de Vincent Brothers, acusado de matar a mulher, a sogra e os filhos, em Bakersfield, Califórnia. Brothers alegou que estava no Ohio aquando dos crimes, que alugou aí alugou um carro e não foi mais longe que St Louis, Missouri.

Quando Kimsey foi testemunhar, ela revelou a identidade de quatro informadores chave que contribuíram para desmascarar o seu álibi: um gafanhoto, uma vespa do papel e dois besouros. Os quatro disseram-lhe que o carro alugado de Brothers tinha ido bem para além de St Louis.

Kimsey, imediatamente baptizada 'a senhora das baratas' pelos média, é uma entomologista da Universidade da Califórnia, Davis, e foi contratada pelo Federal Bureau of Investigation para identificar as carcaças de insectos esmagadas contra o radiador e filtros de ar do carro de Brothers, como forma de tentar perceber onde o carro tinha estado. Os quatro insectos que ela apresentou ao júri são, diz ela, apenas encontrados a oeste do Missouri. Após este testemunho, e de outras evidências, o júri considerou Brothers culpado a 29 de Maio.

Há muito que os agentes da autoridade tiram partido dos informantes insectos, focando-se tipicamente nas moscas que colonizam os cadáveres. Se as condições forem as correctas, esses insectos podem revelar à quanto tempo ocorreu a morte, se a vítima foi envenenada ou se o corpo foi deslocado. Os insectos também podem ajudar a detectar movimento, um insectos esmagado pelo sapato de alguém ou uma picada reveladora de uma praga limitada geograficamente, podem ser as pistas necessárias para se conhecer o paradeiro de alguém.

Os cientistas forenses realizam análises semelhantes com grãos de pólen, que têm espaços, formas e composições específicas, bem como a genética vegetal. Diatomáceas podem indicar o local de um crime aquático: a combinação de espécies de diatomáceas é capaz de identificar um corpo de água específico.

Mas, como todas as evidências, este tipo de prova forense tem alguma incerteza e Kimsey preocupa-se com o facto de as capacidades de que os entomologistas dependem para rapidamente identificar um insecto estarem a desaparecer, o que torna este tipo de trabalho ainda mais incerto.

Para o julgamento de Brothers, a defesa convocou quatro testemunhas para argumentar contra a análise dos insectos de Kimsey. Um dos pontos de desacordo era se os mapas de distribuição destes insectos eram rigorosos. Kimsey admite que estes mapas foram simplificados para serem facilmente compreendidos em tribunal, reduzindo os habitats dos animais a zonas distintas com limites sólidos.

Arwin Provonsha, entomologista forense da Universidade Purdue no Indiana, que questionou os mapas no banco das testemunhas, salienta que algumas evidências já publicadas sugerem que os insectos podem ser encontrados bem para além dos limites apresentados por Kimsey. Mas, diz ele, ele ainda considera que as provas dos insectos mostram que o carro foi conduzido para além de St Louis.

 

Outros peritos salientam que a distribuição dos insectos pode mudar, tornando mais difícil a interpretação das evidências. "Temos algumas publicações clássicas acerca de distribuições de há 50 anos que são muito boas", diz Jeffrey Wells, entomologista forense da Universidade do West Virginia em Morgantown, que não esteve envolvido no julgamento. "Mas algumas coisas mudaram e muitos desses registos estão desactualizados."

Outra dificuldade quando se avalia provas entomológicas é que os insectos individuais podem sair para além das zonas distintas que compõem o habitat oficial da espécie. Os insectos podem deslocar-se de uma ponta do país para outra, à boleia em camiões e comboios, que os levam para zonas onde normalmente não se encontram.

A identificação incorrecta de insectos também pode levar os cientistas forenses a conclusões erradas, diz Kimsey. Num recente encontro da North American Forensic Entomology ela recolheu seis espécimes de moscas varejeiras e pediu aos participantes que as identificassem. "Ninguém as identificou correctamente", diz Kimsey. "Ficámos muito desencorajados pois se não identificarmos correctamente as moscas varejeiras a nossa estimativa do intervalo postmortem pode ser incorrecta."

Quando Provonsha analisou os insectos do caso Brothers, ele identificou três dos animais da mesma forma que Kimsey.

Cada vez menos entomologistas estão interessados em utilizar a morfologia clássica para identificar as espécies, diz Kimsey, preferindo as modernas técnicas moleculares com base no DNA. Mas a sequênciação genética não terá grande utilidade em casos como este, diz ela. A maioria dos insectos não faz parte das bases de dados genéticas porque ainda não foram sequenciados.

Entretanto, diz ela, a abordagem antiquada tem as suas vantagens sobre as técnicas moleculares mais lentas. "Não custa mais do que perguntar 'o que é isto?' e 30 segundos depois alguém nos diz o que é", explica Kimsey. "É um nível de perícia que fará muita falta se a perdermos." 

 

 

Saber mais:

European Association for Forensic Entomology

North American Forensic Entomology Association

 

 

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