2007-06-19

Subject: Desenvolvimento de resistências nem sempre é devida à utilização de medicamentos

 

Bem-vindo(a) a mais uma edição do boletim informativo  News of the Wild

Este boletim é mantido por simbiotica.org, a Rede Simbiótica de Biologia e Conservação da Natureza

Mantenha-se informado das últimas novidades e troque ideias com todos os que fazem parte desta imensa rede!

 

Em destaque:

Desenvolvimento de resistências nem sempre é devida à utilização de medicamentos

 

  Questões ou comentários para: webmaster@simbiotica.org

Dê a rede simbiotica.org a conhecer a um amigo!!

A resistência da gripe a um poderoso grupo de medicamentos antivirais, a família adamantano, aumentou de forma preocupante de 2% para 90% nos últimos anos por todo o mundo. 

Esta alteração dramática foi inicialmente atribuída à pressão selectiva da utilização de medicamentos, que levaria ao desenvolvimento de estirpes resistentes aos adamantanos. No entanto, um novo estudo indica que não é essa a origem do aumento da resistência, mas que os vírus a desenvolveram de forma autónoma.

O resultado sugere que as estratégias para derrotar as resistências emergentes através de uma utilização cautelosa dos medicamentos podem não funcionar a 100% e é um importante lembrete aos investigadores para a natural capacidade de adaptação dos vírus.

Na maioria das circunstâncias, os médicos esperam que os antivirais funcionem de forma muito eficiente nos primeiros dias da sua aplicação. À medida que os vírus susceptíveis ao medicamento são derrotados, apenas as estirpes mais resistentes permanecem, logo é normal que a eficiência do medicamento comece a diminuir à medida que os vírus se replicam. Mas isto não era o que acontecia com os adamantanos.

Quando os investigadores do Center for Disease Control and Prevention dos Estados Unidos analisaram a resistência aos adamantanos há dois anos, esperavam encontrar altos níveis de resistência nos Estados Unidos, onde eram receitadas uma média de 1,5 milhões de doses anualmente, bem como na Nova Zelândia e no Japão. Em vez disso, ficaram chocados ao encontrar resistências em todo o mundo.

Para melhor compreenderem a situação, a equipa de investigadores liderada pelo National Institute of Health (NIH) de Bethesda, Maryland, examinaram uma colecção internacional de genomas virais. Descobriram que um único tipo de mutação era responsável por todos os casos de resistência que estudaram. "Se a pressão selectiva da utilização do adamantano fosse a responsável, esperávamos encontrar todo o tipo de mutação possível mas apenas vimos um", diz Lone Simonsen, epidemiologista do National Institute of Allergy and Infectious Diseases.

Analisando em detalhe o genoma completo de vários vírus, a equipa do NIH determinou que a mutação que confere resistência tinha ido à boleia de outros genes que permitiram ao vírus escapar à detecção imunológica. Assim, a evolução da resistência ao adamantano parece ter sido um efeito secundário acidental da evolução do vírus.

 

A abrupta subida da resistência para 90% "parece realmente surpreendente", diz Simonsen, mas, acrescenta ela, está de acordo com a nossa compreensão da forma como a gripe evolui em surtos, através de uma série de 'efeitos gargalo' que restringem a capacidade de sobrevivência da população.

Não há dúvida que a pressão selectiva devida aos medicamentos desempenha um papel importante no surgimento de resistências mas o caso dos adamantanos é um forte aviso de que outro tipo de forças também estão em actuação.

Essas forças vão ter que ser tidas em conta nas nossas estratégias de combate e gestão de doenças, diz Edwin D. Kilbourne, professor emérito de microbiologia e imunologia do New York Medical College. "Este estudo tem importantes aplicações práticas no planeamento das reacções a pandemias futuras."

Mark Miller, do Fogarty International Center for Advanced Study in the Health Sciences de Bethesda concorda. Ele acrescenta que o trabalho é um importante exemplo de como é importante a partilha de dados sobre a gripe. "Os virologistas de todo o mundo têm muita dificuldade em partilhar genomas virais, mas esta publicação ilustra o poder de uma colaboração internacional com vista à melhoria da saúde pública." 

 

 

Saber mais:

CDC - adamantane resistance

 

 

Comentar esta notícia              Busca             Imprimir

 

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!

@ simbiotica.org, 2007


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com