2007-06-12

Subject: Será este o fim da fábula do tigre chinês?

 

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Será este o fim da fábula do tigre chinês?

 

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@ Save the Tiger FundPara Valmik Thapar, é uma questão de princípio, de dignidade humana, de distorção da tradicional relação entre a Humanidade e a natureza. "Para mim é um nojo", argumenta ele, "não é civilizado ter quintas de tigres, não pode ser o sonho de ninguém."

O objecto da ira de Thapar é uma proposta algo vaga da China para reabrir o comércio interno de produtos de tigre. Este comércio foi proibido há 14 anos e a utilização de materiais retirados de tigres selvagens continuaria ser proibido. Em vez disso, os ingredientes dos medicamentos tradicionais, como o osso de tigre, seriam obtidos a partir de animais mantidos em quintas de criação.

Pensa-se que já existam pelo menos cinco quintas de tigres na China, que albergam cerca de 5 mil animais, a maioria nascida e criada em cativeiro. Espantosamente, esse número é superior ao de tigres que permanecem na natureza.

@ Save the Tiger FundAs organizações conservacionistas e de defesa dos animais estão virtualmente unidas na sua oposição à ideia.

A reabertura do comércio interno iria aumentar a caça furtiva para o alimentar, acreditam os conservacionistas, para além de também levar a um incremento do comércio internacional, que permaneceria ilegal de acordo com a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (CITES).

Um proeminente conservacionista que passou os últimos 30 anos a observar os tigres indianos, Valmik Thapar não tem ilusões quanto ao significado desta medida para as populações selvagens que restam, a maioria localizadas na Índia.

"Se não houvesse uma proibição do comércio de partes de tigre, garanto-vos que não restaria um tigre vivo na natureza na Índia hoje", disse ele na conferência da CITES em The Hague.

Mas há uma outra mensagem: os tigres são animais selvagens e é dessa forma que sempre os tratámos e respeitámos. Colocá-los atrás de grades, retirar-lhes os seus instintos e comportamentos tradicionais não faz sentido num mundo que se diz civilizado.

As quintas de tigres surgiram na China na década de 80 passada, quando o mercado era florescente. A proibição do comércio nacional e internacional reduziu os lucros das quintas, pelo que muitas se viraram para o turismo.

Um documento informativo que a China está a apresentar na conferência da CITES, entitulada 'The Current Situation of Tiger Breeding and the Facing Difficulties of the Guilin Xiongsen Tigers and Bears Mountainvillage', lamenta as dificuldades financeiras que uma das quintas enfrenta.

"Precisamos de 50,000,000 RMB ($6,500,000) para dirigir o zoo, e até agora o turismo apenas tem fornecido 15,000,000 RMB ($2,000,000). Sem novos apoios financeiros, os mil tigres vão passar fome, o que tornaria ridículo falar em protecção da espécies."

Para além disso, os donos da quinta têm compaixão pelos doentes que os visitam em busca de tratamento: "Os que sofrem de reumatismo visitam-nos frequentemente em busca de ossos de tigre, chegam a ajoelhar-se mas não podemos fazer nada por eles porque é proibido."

 

As quintas de tigres receberam apoio de algumas organizações não governamentais que acreditam que a estratégia de conservação funciona melhor quando daí se obtém valor financeiro.

Barun Mitra, do Liberty Institute de Déli, considera que a procura de peles de crocodilo era satisfeita pela caça furtiva mas actualmente provém das quintas de crocodilos, que fornecem o mesmo material por uma fracção do preço.

O argumento que esta seria uma forma de proteger os tigres e aumentar o seu efectivo é rapidamente contrariada por Sue Lieberman do WWF International. "Custa muito manter um tigre em cativeiro e praticamente nada matá-lo na natureza. Em qualquer caso, a medicina tradicional legítima não precisa de partes de tigre e aqueles que utilizam ossos de tigre preferem ossos de animais selvagens."

A abordagem da China é difícil de compreender pois as negociações no encontro da CITES resultaram na produção de um resolução conjunta da China, Índia, Nepal e Rússia. A maior parte da resolução é anódina mas há uma clausula intrigante: "Quem estiver envolvido na criação de tigres à escala comercial deve implementar medidas que restrinjam a população cativa a um nível que apoie apenas a conservação dos tigres selvagens."

Está implícito, portanto, que a China apoia as quintas de tigres apenas para conservação, não para comércio. No entanto, alguns delegados dizem que o que lhes foi dito é que o comércio será reaberto e os chineses ainda não clarificaram este ponto.

Já este ano, repórteres sob disfarce da televisão independente inglesa ITN visitaram a quinta de tigres Guilin e descobriram que a carne de tigre estava à venda ilegalmente. A origem da carne foi comprovada por um laboratório chinês independente.

John Sellar, da CITES, disse aos delegados que o Fish and Wildlife Service americano também já validou os resultados e que a descoberta tinha sido comunicada ao governo chinês.

Se a resolução for aprovada pela CITES, vão surgir dificuldades, nomeadamente sobre quanto tigres em cativeiro são necessários para garantir a conservação.

A Índia está a tomar uma posição proactiva contra as quintas, na esperança que a China acabe com elas gradualmente. Mas se tal acontecer, o que será dos 5 mil tigres que lá vivem?

Não têm instintos para sobreviver na natureza e como provêm de um pequeno grupo de procriadores têm pouco a oferecer à população selvagem existente. Mas para Valmik Thapar, um problema mais importante espreita se as quintas não forem fechadas e o comércio proibido para sempre: a extinção final do tigre.

"A história nunca irá perdoar um ser humano ou um grupo de seres humanos que tomem outra decisão", diz ele. 

 

 

Saber mais:

CITES

WWF International

Liberty Institute

 

 

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