2007-06-07

Subject: Demasiado queriducho para sobreviver?

 

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Demasiado queriducho para sobreviver?

 

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Algumas imagens falam mais alto que mil palavras mas esta só diz duas: "que queriducho!" 

O lento loris, nativo de vastas áreas da Ásia, deve ser um dos animais mais apelativos do planeta. "As lojas de animais fazem publicidade deles e são muito populares junto das senhoras japonesas", diz Masayuki Sakamoto, da Wildlife Conservation Society do Japão. "São muito fáceis de manter, não fazem barulho, são pequenos e tão amorosos."

No Japão, um loris lento pode custar entre $1500 e $4500 mas esse preço esconde o custo real do comércio de animais de estimação, medido em dedos rasgados, bocas em sangue e crias incapazes de se limpar a si próprias.

"Arrancam-lhes os dentes para que o vendedor possa dizer que é um bebé", conta Anna Nekaris, especialista em loris da Universidade Oxford Brookes. "São mantidos em jaulas de arame e, por causa da rede especial de vasos sanguíneos que têm, quando são arrancados das jaulas à força ficam com os dedos e as patas cortados."

Como funciona a CITES

Os organismos ameaçados são listados em três apêndices, dependendo do risco que enfrentam: 

Apêndice 1 - proibição total de todo tipo de comércio internacional

Apêndice 2 -comércio internacional seguido de perto e regulamentado

Apêndice 3 - proibição de comércio por parte de governos individuais, que pedem o apoio de outros

"Subir na lista" - mover o organismo para um apêndice mais protector

"Descer na lista" - o inverso do anterior

Conferências das Partes (COP) são realizadas a cada 3 anos

A CITES é administrada pelo Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP)

As crias separadas dos pais não são capazes de se limpar a si próprias, logo ficam com a pelagem empapada em urina, fezes e secreções oleosas da pele. Uma grande percentagem, entre 30 e 90%, morre no transporte.

O governo do Camboja pretende introduzir uma proibição sobre o comercio internacional do loris lento, em termos técnicos, fez subir na lista este primatas, do apêndice 2 para o apêndice 1, no âmbito da Convenção Internacional sobre o Comércio de Espécies Ameaçadas (CITES).

Essa pretensão vai ser avaliada no encontro da CITES mas nem todos os grupos conservacionistas estão a apoiá-la, alegando que o sentimento pode estar a obstruir uma análise racional do problema.

Era assumido que o loris lento era uma única espécie, com um território que se estendia desde o norte da Índia, Birmânia, Tailândia, Malásia, Vietname, Camboja e Laos, até à Indonésia e às Filipinas. Nekaris é uma das investigadoras que alterou esta imagem dos loris, sendo agora reconhecidas cinco espécies, embora muitos considerem que devem existir mais.

A escala da ameaça também não é clara. Estimativas de efectivo populacional são frequentemente baseadas em estudos pequenos e a lista Vermelha das Espécies Ameaçadas chama a atenção para uma falta de dados em muitas zonas, apesar de um recente workshop de especialistas ter colocado todas as cinco espécies na categoria de Ameaçado ou Vulnerável.

Ninguém sabe a verdadeira escala do comércio internacional de loris, entre 1998 e 2006, as autoridades japonesas apreenderam 363 animais e agentes tailandeses, indonésios e de Singapura apreenderam mais 358 espécimes a caminho do Japão.

Os peritos no comércio de fauna selvagem trabalham na base de que cerca de 10% dos carregamentos são descobertos mas isso pode estar a subestimar o caso do loris lento, cujo instinto de sobrevivência é enrolar-se numa bola e ficar quieto, o que os torna muito fáceis de esconder em qualquer mala.

Os animais também são comercializados para o Médio Oriente, Europa, China e Estados Unidos mas mesmo assim, o comércio pode não ser a sua maior ameaça.

"A espécie está a ser comercializada internacionalmente mas a informação actual indica que esse comércio é relativamente limitado e o seu impacto deve ser insignificante comparado com outros factores", salienta um relatório de peritos que faz parte da avaliação da World Conservation Union (IUCN) preparada para o encontro da CITES.

A IUCN sugere que a perda de habitat pode ser um factor muito mais importante no seu declínio.

 

As crias não se conseguem limpar a si própriasSe os delegados concordarem com esta avaliação sóbria, o loris lento será considerado não apto ao Apêndice 1 da CITES e o comércio internacional não será proibido, seja qual for o apelo emocional que o animal nos inspire.

No sudeste asiático, ser amoroso não é a única coisa que o loris lento tem para oferecer.

Um medicamento tradicional cambojano para aliviar as dores do parto é vinho de loris, cada garrafa feita com o corpo de três animais misturado com vinho de arroz. As carcaças são secas e fumadas para utilização noutros medicamentos tradicionais, levando a um comércio local, das zonas rurais para as cidades, mas que raramente ultrapassa as fronteiras internacionais.

"Penso que o comércio doméstico é, de longe, o assunto mais urgente que temos que analisar", diz Chris Shepherd, da organização que segue o comércio da fauna selvagem Traffic. "Queremos apelar às polícias dos estados onde existem loris e onde são consumidos, que são frequentemente os mesmos, que encerrem os mercados domésticos. 

"O comércio doméstico é impedido por lei em todos os estados onde existem loris mas continua florescente e decorre de forma aberta, apontando para uma falta de aplicação da lei."

Como agência especializada encarregue pela CITES da recolha de dados sobre certos temas, como o comércio de marfim, as indicações da Traffic são influentes e não apoiam a subida na lista, não porque não considere que há motivo de preocupação mas porque não considera o comércio internacional o problema principal.

Anna Nekaris, no entanto, acredita que a sua subida na lista chame à atenção do público para os perigos que o loris enfrenta e reforce a aplicação das leis.

"De momento são vistos apenas como um animalzinho castanho e a maioria dos agentes da CITES provavelmente não seriam capazes de o distinguir de um lémure", diz ela. "Uma classificação no Apêndice 1 faria com que esses agentes recebessem formação, o que os ajudaria a compreender que é um animal a que têm que estar atentos."

A pretensão cambojana é apoiada por numerosos grupos dedicados à defesa dos direitos e bem-estar dos animais. Imagens destes animaizinhos amorosos a tremer de terror em jaulas de arame em mercados têm, certamente, um forte impacto emocional mas a CITES tem que trabalhar com base em factos científicos e não emoções. Veremos até que ponto os delegados ao encontro, vão ser capazes de resistir a estes enormes olhos doces e dedinhos enclavinhados. 

 

 

Saber mais:

CITES

Loris Conservation

Lançada campanha para proteger as espécies mais estranhas

Um quarto dos primatas enfrenta a extinção

 

 

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