2007-06-05

Subject: Adeus passarinho!

 

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Tropicranus albocristatusCom olhos selvagens e um penteado maluco, o calau de crista branca africano Tropicranus albocristatus tem um característico aspecto irritado mas seja o que for que o irrita até agora não tem sido uma ameaça para a sua vida. A ave é suficientemente numerosa para ter sido declarada "de baixa preocupação" pelo grupo conservacionista BirdLife International.

Mas esta situação pode estar prestes a mudar. Num novo estudo agora conhecido, o ecologista Walter Jetz, da Universidade da Califórnia em San Diego, previu o destino de 8750 espécies de aves não marinhas de todo o mundo em que as alterações climáticas e os novos padrões de utilização das terras por parte do Homem estão a transformar a paisagem.

Ao longo do novo século, descobriu ele, o calau de crista branca e quase outras mil espécies podem perder mais de metade dos seus terrenos preferidos de alimentação, o que as empurrará bem para além do estádio de "baixa preocupação".

Mais de 50% destas espécies podem potencialmente ser empurradas para a extinção. Isso é bem mais alto que as previsões actuais da IUCN, the World Conservation Union. Das 80 espécies que enfrentam a extinção segundo a lista de Jetz, apenas 41 estão actualmente listadas como "ameaçadas" pela IUCN.

Os resultados, publicados na edição desta semana da revista PloS Biology, vêm somar-se a muitos outros relatórios que prevêem o impacto das alterações climáticas na fauna selvagem mas este estudo é único porque considera tanto as alterações climáticas como as alterações na utilização da terra. Enquanto todos estão a apanhar o comboio das alterações climáticas, Jetz espera que o relatório sirva como lembrete para os problemas antigos da desflorestação e da conversão de terras, que continuam críticos.

"As alterações climáticas são um problema terrível e precisamos de o estudar cuidadosamente", diz Jetz. "Mas não nos devemos esquecer de que precisamos de perceber o impacto da continuada e crescente redução dos habitats." Para aves tropicais como o calau de crista branca, Jetz considera que o principal problema continuará a ser a perda de habitat. As alterações climáticas vão desempenhar um papel maior no moldar do destino das aves das latitudes mais elevadas, onde os efeitos são mais dramáticos.

As descobertas baseiam-se em modelos criados pelo projecto de Avaliação dos Ecossistemas do Milénio (MEA), um relatório encomendado pelas Nações Unidas sobre as alterações ecológicas que se aproximam e que incluiu cenários de alteração da utilização das terras. Jetz analisou guias de aves para descobrir mapas do território para mais de 8750 espécies, o máximo que conseguiu. Sobrepuseram estes territórios com os mapas de vegetação do MEA e mediu a alteração de vegetação nesse espaço.

 

As perdas foram dramáticas. No cenário relativamente benigno de 'mosaico adaptativo' da MEA, em que os problemas ambientais são combatidos de forma proactiva, cerca de um quarto das terras estavam transformadas em 2100: 16% devido às alterações climáticas e 9% devido a alterações devidas a alterações de utilização de terras. Noutro cenário, onde não havia actuação, as perdas de habitat em regiões tropicais eram cerca do dobro. No total, Jetz projectou que o número de aves ameaçadas devia aumentar 19 a 30% em 2050 e 29 a 52% em 2100.

Há uma probabilidade significativa de que se esteja a sobrestimar os efeitos das alterações de vegetação, outros trabalhos anteriormente publicados sugeriram que muitos animais podem alterar os seus territórios, em busca das suas plantas e climas favoritos. Mas sem modelos satisfatórios deste processo, os investigadores optaram por assumir que as aves não mudariam de território geográfico em resposta às alterações nos ecossistemas.

Ainda assim, Jetz considera que a tendência é muito clara: o cultivo de terrenos naturais pelo Homem vai continuar a ameaçar as regiões tropicais onde há grande diversidade de aves mas estas já estão restritas a territórios estreitos. "Há um sinal muito claro aqui, mostrando que as alterações na utilização de terras deve continuar a aumentar de forma dramática", diz Jetz, "e ocorrerá em regiões onde a biodiversidade é particularmente vulnerável."

O estudo é uma excelente tentativa para integrar as alterações climáticas e as utilizações da terra, diz a ecologista da Universidade de Stanford Terry Root. Mas dada a incerteza inerente aos modelos de longo prazo, Root recomenda caução antes de se fazer uma leitura aprofundada dos números. "Precisamos de levar a sério que é dito mas não literalmente", diz ela. "Penso que o estudo mostra que estamos em apuros e eu realmente acho que estamos." 

 

 

Saber mais:

IUCN Red List of Threatened Species

Millennium Ecosystem Assessment

American Bird Conservancy - Birdwatcher's Guide to Global Warming

Smithsonian - Effects of Climate Change on Migratory Birds

 

 

 

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