2004-01-16

Subject: Animais podem alertar para novas epidemias de Ébola

News of the Wild

 

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Animais podem alertar para novas epidemias de Ébola

 

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Animais mortos pelo vírus Ébola podem ajudar a prevenir a possibilidade de novos surtos junto das populações humanas, revelam os cientistas num estudo publicado na revista Science. O estudo faz notar que alguns dos surtos mais recentes no Gabão e na República do Congo surgiram imediatamente após grandes declínios em populações animais na zona. 

Os animais são atacados por diversas estirpes de Ébola, podendo algumas espécies, já ameaçadas por acção humana, extinguir-se localmente. Entre os animais afectados encontram-se chimpanzés, gorilas e bambis Sylvicapra grimmia, um pequeno e tímido antílope, muito comum em quase toda a África. 

O Ébola mata em quase 90% dos casos, causando intensas hemorragias internas, e neste momento existem poucas hipóteses de tratamento, embora uma nova droga experimental pareça oferecer alguma esperança. Os investigadores consideram que as estirpes mais letais do Ébola ocorrem no Gabão, República do Congo e República Democrática do Congo. 

Ocorreram 5 surtos em populações humanas da África ocidental nos últimos 2 anos, tendo sido afectadas 313, das quais 264 morreram. Todos começaram após as pessoas terem manuseado ou ingerido animais selvagens mortos.

A equipa revelou que existiam carcassas de animais nas florestas mesmo antes e durante o surto humano de 2001 no Gabão. Animais mortos raramente são encontrados nesta zona, pois decompõem-se muito rapidamente se não forem devorados antes. Um gorila decompõe-se completamente no prazo de um mês. Por esse motivo, os investigadores pensam que as carcassas encontradas significam que centenas ou mesmo milhares de animais podem ter morrido por acção do vírus. 

Num santuário de vida selvagem da zona, os sinais da presença de gorilas e de bambis caíram mais de 50% entre 2002 e 2003, enquanto os indicadores da presença de chimpanzés desceram 88%. Oito grupos de gorilas, num total de 143 animais, desapareceram para nunca mais serem vistos. 

O estudo revela que os surtos de Ébola ocorrem abruptamente, exterminando os animais expostos muito rapidamente mas localmente. 

Os bambis reproduzem-se rapidamente e o seu efectivo pode recuperar mas os grandes primatas, com ciclos reprodutivos lentos, sujeitos à caça furtiva e ao abate para "carne selvagem", podem extinguir-se completamente na África ocidental e central. As populações de grandes primatas no Gabão estão reduzidas a metade, no espaço entre 1983 e 2000. 

Os investigadores não acham que os surtos em animais se propaguem ao longo de toda a bacia do Congo numa única vaga, mas sim através de múltiplas infecções a partir de um único, e ainda desconhecido, hospedeiro natural. 

Os autores do estudo concluem: quase todos os surtos de Ébola em humanos no Gabão e na República do Congo foram associados ao manuseio de animais selvagens mortos por aldeãos ou caçadores, e foram sempre precedidos de um aumento de mortalidade animal. Assim, se for possível detectar os animais mortos e diagnosticar a infecção por Ébola, poder-se-á prevenir o surgimento de surtos em humanos. 

 

Outras Notícias:

Animais têm papel importante nas pandemias de gripe

 

Na maioria das pandemias, animais como galinhas, porcos ou mesmo vacas tiveram um papel importante no desenvolvimento de novas e mortíferas estirpes de vírus de gripe, contra as quais o Homem não teve imunidade.  É este facto que tem vindo a preocupar os cientistas após o surto asiático de gripe das galinhas, que já matou milhares de aves no Vietname, Coreia do Sul e Japão. 

A Organização Mundial de Saúde considera que 18 pessoas já foram infectadas pela gripe das galinhas, incluindo 3 infecções confirmadas. Esta situação é semelhante à ocorrida em 1997 em Hong Kong, quando 18 pessoas foram infectadas e 6 morreram. Nesse surto, a doença não se espalhou porque o vírus não se propagava pessoa a pessoa, e o abate de 1,5 milhões de galinhas o impediu. 

O perigo surge quando um novo vírus consegue passar pessoa a pessoa. Os animais desempenham um papel central neste caso, pois são um meio de novas estirpes de gripe que contenham alterações genéticas que o sistema imunitário humano não possa reconhecer. 

Os porcos podem ser infectados com vírus de gripe humana e de aves, para além da gripe suína. Os porcos infectados têm sintomas idênticos aos humanos, como tosse, febre e corrimento nasal. Dada a facilidade com que são infectados por vários tipos de vírus de gripe, os porcos podem contrair simultaneamente dois vírus. Se tal acontecer, os genes de ambos os vírus podem misturar-se e cria-se um novo vírus. No Vietname, já morreram centenas de porcos com gripe. 

Os cientistas dizem que as grandes pandemias de gripe ocorrem a cada 30-35 anos. A mais mortífera foi a da gripe espanhola de 1918-19, que matou 20 a 50 milhões de pessoas em todo mundo. Não é totalmente certo mas pensa-se que a origem desta estirpe virulenta foram aves selvagens. 

Estudos recentes consideram que a próxima gripe assassina pode saltar directamente dos patos para o Homem. A gripe dos patos domésticos já adquiriu genes de vírus de galinhas e já consegue infectar células humanas. Este vírus está muito próximo de conseguir propagar-se pessoa  a pessoa, comenta o perito em gripe Robert Lamb, da Universidade Northwestern. 

A OMS e outras organizações de saúde pública enviaram peritos ao Vietname, para investigar o último surto e a forma como se está a propagar. Um ponto chave é descobrir se o vírus terá sido passado às galinhas por aves selvagens. 

 

 

Saber mais: 

The Ebola Virus

ESA Portal - Portugal - Solução do enigma do Ebola

Discovery Health Website

 

 

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@ Born to be Wild, 2004


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