2007-05-01

Subject: Encontrado parente do 'George solitário'

 

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Encontrado parente do 'George solitário'

 

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O 'George solitário', um ícone da conservação e o aparentemente único sobrevivente de uma espécie de tartarugas gigantes das Galápagos, pode não ser tão solitário afinal.

Os biólogos identificaram um parente vivo do George na ilha Isabela, cerca de 70 Km do local deste solitário, um animal cujo pai pode ser ou não ainda vivo mas é da mesma população que George.

Há mais de 450 anos, as Galápagos estavam cheias com mais de uma dúzia de populações distintas de tartarugas gigantes, cada uma isolada por água ou por fluxos de lava activos. A exploração humana e as erupções desde então levaram ao desaparecimento de um terço dessas populações e George solitário, baptizado como o 'animal mais raro do mundo' pelo Guinness World Records, pensa-se que seja o último espécime de Geochelone abingdoni.

A nova descoberta indica que isto pode não ser verdade: pode haver outro espécime de G. abingdoni vivo nas Galápagos.

Tristemente, a recém-descoberta tartaruga não pode ser um parceiro romântico para George pois é um macho com 30 anos de idade e não é de raça pura. O seu pai pertencia à ilha de Pinta, como George, mas a mãe é de Wolf Volcano na ilha Isabela.

Ainda assim a descoberta levanta a possibilidade de que possa existir outros, de raça pura ou híbridos, a viver em Isabela e que transportem os genes de Pinta e possam ser parceiros para o George solitário. "Seria fantástico encontrarmos uma fêmea pura Pinta", diz o biólogo evolutivo Jeffrey Powell, da Universidade de Yale em New Haven, Connecticut, participante no estudo.

A equipa fez a sua descoberta após analisar o DNA de 7 tartarugas Pinta, incluindo o George solitário e seis espécimes mortos de museu, e o comparar com o material genético de 27 tartarugas de Isabela que tinha sido previamanente recolhido. O resultado, publicado na revista Current Biology, mostraram metade de correspondência com George.

Então quais são as hipóteses de haver uma tartaruga pura Pinta?

Powell salienta que existem cerca de 8 mil tartarugas a viver em Isabela e o estudo apenas analisou uma amostra ao acaso de 27. "É muito provável que encontremos mais", diz ele. Este tipo de tartaruga tem tendência a por 10 ovos de cada vez, refere o escritor Henry Nicholls, autor de Lonesome George: The Life and Loves of a Conservation Icon. "Logo não seria surpreendente se ele tivesse irmãos."

Mas Linda Cayot, conselheira científica para a organização americana Galápagos Conservancy, é mais discreta. A mortalidade nos juvenis é alta e a determinação do sexo é dependente da temperatura, diz ela. Logo se há algum irmão sobrevivente também deve ser macho.

 

É invulgar estas tartarugas viajarem longas distâncias. É possível que o misterioso pai Pinta desta nova tartaruga tenha caído à água e tenha flutuado até Isabela, diz Powell. As tartarugas não são boas nadadoras mas podem flutuar com a cabeça acima da água e sobreviver sem água e comida até seis meses.

Mais plausível talvez seja a ideia de que baleeiros tenham transportado o animal algures entre os séculos XVI e XVIII. Os registos históricos mostram que estes caçadores gostavam das tartarugas gigantes e carregavam algumas de Isabela quando seguiam para as zonas de caça à baleia. Histórias também contam que os piratas deitavam as tartarugas borda fora para aliviar a carga quando eram perseguidos.

Não se sabe se o pai de raça pura Pinta ainda está vivo ou não. Os cientistas apenas têm uma amostra de sangue de tem metade de semelhança com George, não a própria tartaruga, logo não sabem que idade tem. Pode ter entre 30 e 150 anos de idade, diz Cayot. Se for um animal velho, o pai não deve esta vivo. "A descoberta levanta mais questões que respostas", diz ela.

No entretanto, o George solitário vive os seus dias na Estação de Investigação Charles Darwin na ilha de Santa Cruz. Ele partilha as instalações com duas fêmeas da ilha de Isabela na esperança que um dia sinta o desejo de amar mas até agora não tem revelado nenhum interesse em acasalar.

"Ele é um ícone triste", diz Powell. "Observar o George é como olhar para uma espécie a extinguir-se. A nossa prioridade agora é voltar e procurar outras tartarugas." Se os fundos surgirem, Powell e uma equipa de cerca de 20 cientistas irá voltar a Isabela para o ano e recolher DNA de mais de mil tartarugas gigantes.

E se descobrirem animais puros Pinta ou híbridos? O que vai acontecer a seguir dependerá do Parque Nacional das Galápagos, diz Powell. Se descobrirem uma fêmea, uma opção óbvia será ver se ela atrairá o George solitário, ajudando a fundar uma nova colónia a ser deslocada para Pinta.

"Mas encontrar uma população Pinta para ajudar a fundar uma população Pinta está a décadas de distância", diz Cayot. "E Pinta precisa de tartarugas agora, antes que os seus ecossistemas fiquem alterados para sempre." 

 

 

Saber mais:

Currrent Biology

Galápagos Conservancy

 

 

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