2007-04-18

Subject: Caça furtiva aos rinocerontes de Assam 'disparou'

 

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Caça furtiva aos rinocerontes de Assam 'disparou'

 

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As autoridades responsáveis pela conservação da fauna selvagem no estado indiano de Assam estão preocupadas com o brusco aumento da caça furtiva aos rinocerontes de um corno no Parque Nacional de Kaziranga.

Suspeita-se de um novo gang de caçadores furtivos que já matou seis rinocerontes nos últimos 3 meses, dois deles na semana passada.

O problema agudiza-se devido à escassez de guardas da vida selvagem na zona. O Kaziranga é o parque nacional mais famosos do estado de Assam e estima-se que seja o lar de 66% dos rinocerontes de um corno que restam no mundo.

"Suspeitamos que um novo gang, com melhores recursos, esteja a operar na zona", refere o guarda do parque Kaziranga, Utpal Bora.

Os 450 Km quadrados do parque albergam 1900 rinocerontes de um corno e celebraram o seu primeiro centenário há 2 anos. "O Kaziranga é um enorme sucesso de conservação, logo ficamos preocupados quando a caça furtiva aumenta."

Os caçadores furtivos cortam as linhas de alta tensão durante falhas de corrente e colocam os fios nos percursos comuns dos rinocerontes. Os animais tropeçam nos fios activos e morrem de fortes choques eléctricos.

As investigações policiais sobre as mortes mais recentes de rinocerontes também sugerem que são utilizadas espingardas de mira telescópica, para disparos a longa distância com balas especiais capazes de perfurar blindados.

Os caçadores furtivos utilizam serras eléctricas para remover os cornos sem grande perda de tempo. A polícia diz que alguns 'colaboradores' locais ajudam com o seu conhecimento da floresta em volta.

"Tudo indica a presença de um esquema de caça furtiva com ligações globais aqui em Kaziranga. Os cabecilhas do gang são 'peixe graúdo'", diz Bora. O pó de corno de rinoceronte, considerado afrodisíaco, atinge alto valor na Ásia, onde cada corno atinge $40 mil por quilo. Também é utilizado na medicina chinesa e em actos cerimoniais.

Restavam cerca de 20 rinocerontes em Kaziranga no início do século XX, quando os ingleses o declararam um santuário em 1916. Em 1966, o seu efectivo já atingia 366 e em 1974, o governo indiano declarou Kaziranga parque nacional e aplicou mais recursos na conservação dos rinocerontes.

Cinco a dez rinocerontes têm sido mortos todos os anos, ao longo da última década, um declínio importante desde os anos 90, quando até 50 animais eram abatidos por ano.

Mas então o principal grupo separatista de Assam, a Frente Unida de Libertação de Assam (FULA) começou a atacar os caçadores furtivos e chegou mesmo a executar alguns deles em 'tribunais populares'. O exército, em perseguição dos guerrilheiros da FULA, também abateu muitos caçadores furtivos, suspeitando de ligações aos rebeldes.

 

Actualmente há pouca actividade rebelde em redor de Kaziranga, e os caçadores furtivos têm o caminho livre, pois há poucos guardas para guardar os animais do santuário da vida selvagem. 

MC Malakar, conservador chefe da floresta de Assam, diz que existem 110 vagas no parque Kaziranga, agora classificado como Património Mundial. "Praticamente não houve recrutamento desde 1994", diz ele, "e entretanto os mais velhos estão a reformar-se e não consegue passar o seu conhecimento e capacidade a uma nova geração."

Os guardas dizem que a caça furtiva ao rinoceronte não é o único problema que o Kaziranga enfrenta, o contrabando de madeira também está a aumentar. Utpal Bora refere que o departamento das florestas já pediu mais guardas armados, mais armas e munições e mais torres de vigia para tentar controlar estas actividades ilegais.

Mas claro que os cortes orçamentais crónicos do estado de Assam não o permitiram até agora.

Os rinocerontes não são os únicos animais raros de Kaziranga: existe uma elevada concentração de tigres reais de Bengala, elefantes asiáticos e búfalos. De acordo com o último senso, existiam mais de 1500 búfalos de água asiáticos e mais de mil elefantes.

"É uma mistura maravilhosa, uma que temos que preservar porque torna o Kaziranga uma atracção turística irresistível", diz o comissário do turismo de Assam, Himangshu Das. O cruzeiro pelo rio Brahmaputra, desde a capital de Assam, Guwahati, até ao Kaziranga tem estado esgotado até ao próximo ano, com a maioria dos turistas a serem estrangeiros. 

 

 

Saber mais:

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